Gustavo Borges: 'Vejo um cenário bom, mas não excelente'
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Gilmar Agassi <br> Reportagem Local 
Um dos maiores nomes da natação brasileira, Gustavo Borges sempre que pode está em Londrina, onde mantém uma academia que leva seu nome. Nesta semana, ele passou pela cidade para reuniões de negócios e para acompanhar de perto o desenvolvimento do trabalho em seu centro esportivo.
Em meio à uma agenda apertada, o medalhista olímpico encontrou um tempo para conversar com a FOLHA e falar sobre os três anos da academia no Norte do Paraná - ele e seus sócios mantêm outras quatro unidades em Curitiba e São Paulo - e o momento da natação brasileira.
Quando questionado sobre o desempenho brasileiro no Mundial de Xangai, realizado no final de julho, Gustavo Borges observou que precisam ser analisados separadamente os resultados e o desempenho da equipe como um todo.
Em relação aos resultados, ele classificou como ''fantástico'' o fato do Brasil ter conquistado quatro medalhas de ouro - duas com Cesar Cielo (50m borboleta e 50m livre), uma com Felipe França (50m peito) e outra com Ana Marcela Cunha na maratona aquática - 25 km. A natação brasileira nunca havia conquistado tantos ouros em campeonatos mundiais.
Entretanto, o medalhista olímpico alertou que o Brasil teve uma quantidade menor de semifinalistas e finalistas em Xangai, em relação ao Mundial de Roma, disputado dois anos antes. Sem contar o fato de que das quatro medalhas douradas, três foram obtidas em provas que não fazem parte do programa olímpico - os 50m borboleta, os 50m peito e os 25 km da maratona aquática.
Apesar disso, Borges acredita que há tempo para os brasileiros evoluírem e melhorarem o desempenho visando os Jogos Olímpicos de Londres em 2012. ''Alguns fatores, como lesões e até a questão do caso de doping envolvendo o Cesar (Cielo) e outros três nadadores, prejudicaram o rendimento dos atletas em Xangai. Vejo um cenário bom, mas não excelente. Precisamos evoluir até Londres'', ressaltou o ex-atleta, que fez questão de pedir o aumento no investimento dirigido à modalidade. ''É preciso investir nos clubes. Somente assim formaremos novos campeões''.
Academia
Sobre a Academia Gustavo Borges, ele demonstra satisfação com o trabalho realizado nos últimos três anos em Londrina. ''Quando se busca a excelência no trabalho, você está sempre evoluindo. É o que buscamos aqui. Atendemos cerca de 1,6 mil alunos, mas temos potencial para ampliar esse número. Estamos buscando melhorar a estrutura, a qualidade dos serviços e assim aumentar o número de alunos'', ressalta o ex-nadador, que está em processo de expansão internacional do método de ensino que leva seu nome.
No primeiro semestre deste ano, Borges se uniu ao campeão olímpico Rik Neethling para levar o método à África do Sul, país de origem do agora parceiro comercial. Segundo ele, no atual momento, a metodologia está sendo traduzida para o idioma inglês. ''Este é um semestre de adequações. Até o final do ano, fechamos a formatação do projeto, para que ele seja colocado em prática na África do Sul no início de 2012'', esclareceu Borges, que tem planos de levar seu método também para países cujo idioma principal é o espanhol.


