São Paulo, 09 (AE) - Gustavo Borges deve ser o próximo presidente da Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos (CBDA). O anúncio foi feito hoje, pelo atual presidente da entidade, Coaracy Nunes, durante entrevista coletiva para falar sobre a participação brasileira nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg e da expectativa para a Olimpíada de Sydney. "Pretendo ficar na CBDA até 2004; depois, quero passar o cargo para o Gustavo."
A idéia do dirigente foi recebida com aplausos pelos demais atletas presentes, entre eles Fernando Scherer, o Xuxa, Luiz Lima, Leonardo Costa e Fabíola Molina. Em seguida, a atenção voltou-se para Gustavo Borges. "Sempre fiz tudo o que o Coaracy pediu, portanto, é claro que aceito", disse o nadador.
Sempre gesticulando muito e falando alto, Coaracy Nunes exaltou o atual momento da natação brasileira. "Depois desse Pan-Americano, a nossa natação nunca mais será a mesma, pois temos hoje um time de sonhos, formado não só por monstros sagrados do esporte nacional, como o Gustavo e o Xuxa, mas por sete ou oito nadadores fantásticos."
Para Scherer, o principal responsável pela evolução da natação no País é o trabalho de Coaracy Nunes. "Ele sempre lutou para conseguir investimentos para o esporte e esse investimento foi o nosso grande trunfo", afirmou o nadador, que ganhou quatro medalhas de ouro em Winnipeg (100 m, 50 m, revezamento 4 x 100 m
todos no estilo livre, e 4 x 100, medley).
Passada a ressaca das medalhas do Pan, a equipe brasileira vai concentrar-se nos treinos para Sydney. Para Scherer, o primeiro passo é alcançar o índice olímpico. "Podemos melhorar os tempos que fizemos no Pan e, se isso ocorrer, temos chances reais de medalhas em Sydney", analisou Xuxa. O nadador disse também que há possibilidades de que ele dispute a prova de nado borboleta na Olimpíada. "Mas só se eu melhorar meu tempo e a prova não atrapalhar os 50 m e os 100 m, livre."
Na opinião de Luiz Lima, medalha de ouro nos 400 m e prata nos 1.500 m, ambos no estilo livre, é preciso conter as cobranças excessivas. Ele criticou quem apenas se contenta com medalhas e não valoriza os atletas que chegam às finais.
Lima usou como exemplo uma entrevista que deu a um jornalista, que lhe perguntou qual era seu objetivo no Pan-Americano. O nadador do Vasco respondeu que queria ficar entre os oito primeiros e seu interlocutor quis saber se aquilo não era muito pouco. "Perguntei a ele se, por acaso, o jornal em que trabalhava estava entre os oito do mundo."
Mesmo com as eventuais cobranças, Coaracy Nunes descarta a possibilidade de a natação brasileira perder o fôlego depois de Sydney. "Temos tudo para ter um desempenho melhor do que o da Olimpíada de Atlanta e continuar melhorando; se houver investimento, certamente vai haver retorno."

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