Faltando pouco menos de quatro meses para o início das Olimpíadas de Londres, a maioria dos atletas já está em fase final de preparação. Há oito anos nesta época, Gustavo Borges se preparava para a sua última Olimpíada, em Atenas. Após os jogos gregos, ele se aposentou, viu muita coisa mudar em sua vida, mas não conseguiu ficar longe de sua grande paixão: as piscinas.
A história nas águas e as quatro medalhas olímpicas conquistadas não o deixam passar em branco nesta época. Mesmo que de longe, Borges faz questão de acompanhar o trabalho dos nadadores brasileiros. E às vésperas de mais uma Olimpíada, um dos maiores nadadores da história do País mostra total otimismo com a performance de seus sucessores em águas inglesas.
Para o ex-nadador, o grupo capitaneado pelo atual campeão olímpico César Cielo tem tudo para fazer em Londres a sua melhor apresentação da natação brasileira em uma Olimpíada. ''Acho que a gente está com uma equipe muito forte, mais até que em 2008. Tivemos um trabalho muito consistente nos últimos quatro anos, com resultados fantásticos, atletas campeões mundiais. Essa equipe tem uma capacidade de gerar resultado maior, e isso é uma vantagem'', aposta Borges.
Além de Cielo, que tem tudo para confirmar o seu favoritismo, o agora empresário Gustavo Borges aposta muito no desempenho dos ''peitistas'', que, segundo ele, cresceram muito nos últimos anos. ''O índice brasileiro está muito forte e a gente vem desenvolvendo principalmente no nado peito. Nos últimos anos melhoramos muito, capitaneado pelo Felipe França (campeão no 50m peito no Mundial). Ele tem condições de nadar para 59 baixo e talvez isso seja suficiente para uma medalha olímpica. Quem forem os outros peitistas que estiverem envolvidos nas provas dos 100 e dos 200 metros estaremos bem representados'', destaca.
O Brasil já tem 14 nadadores classificados para Londres-2012. Para a maioria dos brasileiros que ainda não alcançou índice, a última chance será no Troféu Maria Lenk, que será realizado de 24 e 28 de abril, no Rio de Janeiro. Em Pequim, há quatro anos, a seleção brasileira de natação tinha 27 atletas.
Outro fator que faz Borges acreditar num bom desempenho brasileiro em Londres foi a preparação, que diferente de anos anteriores, foi feita toda no Brasil. ''Isso foi uma grande novidade, já que na década de 90 teve uma ida grande para os Estados Unidos, pela questão do intercâmbio, treinamento, infraestrutura, e agora a gente consegue voltar aqui e fazer um bom trabalho dentro das nossas próprias instalações. É uma questão muito importante, fundamental para o resultado destes atletas''.
Apesar deste otimismo, a experiência adquirida na disputa de quatro Olimpíadas obriga o multicampeão a fazer um alerta ao time nacional. ''Olimpíada é uma competição onde ninguém ganha de véspera. Dentro da piscina, numa final olímpica, ganha aquele que estiver mais bem preparado fisicamente, emocionalmente e o cara que bate a mão na frente, mas para isso tem todas estas coisas que vem antes'', recomenda Borges.

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