Gustavo Borges crê no sucesso da natação
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
O desempenho brasileiro nas piscinas de Londres ficou aquém das expectativas. Liderado pelo campeão olímpico Cesar Cielo, o time da natação carregava nos ombros a esperança da quebra de recordes de medalhas em uma mesma edição dos jogos, o que acabou não acontecendo. A frustração, no entanto, não abala o otimismo para 2016, ano em que o Brasil receberá pela primeira vez o maior evento esportivo do mundo.
Nadador brasileiro com maior número de medalhas olímpicas, Gustavo Borges aposta na boa safra de atletas para o Brasil não fazer feio em casa daqui a quatro anos. "Temos uma safra boa, alguns mais experientes, que estarão perto ou com mais de 30 (anos) em 2016 e outros bons atletas jovens. Fora isso, vejo uma motivação muito grande dos atletas que hoje estão com 15, 16 anos, que serão os que estarão lá com chances de disputar. Quem conhecia o Florent Manaudou (nadador francês campeão da prova dos 50 metros em Londres) quatro anos atrás? A mesma coisa o Cielo, quatro anos antes de Pequim, ele estava em casa, com a minha família, torcendo para mim", exemplifica o ex-nadador, dono de quatro medalhas olímpicas.
O otimismo de Borges tem como argumento principal o trabalho desenvolvido na natação brasileira nos últimos anos. "Não tem como prever muito essa questão, mas como a gente está numa ascensão, e cada vez mais surgem novos talentos, é muito fácil chegar nos próximos quatro anos e aparecerem algumas surpresas agradáveis. A gente precisa contar com isso, com o que já está aí, e com as surpresas que vão acontecer dentro de um trabalho que já vem sendo feito há muito tempo", observa o agora empresário Gustavo Borges, que esteve ontem em Londrina para as comemorações do quarto aniversário de sua academia na cidade.
Entre as novas e boas apostas de Borges para os postos de destaques dos próximos quatro anos estão Léo de Deus e Marcelo Chierighini, de apenas 21 anos. Ambos já integraram a delegação brasileira em Londres. Quem desponta com boas chances de brilhar é o nadador do Botafogo, Matheus Santana, de 16 anos. Ele superou o recorde dos 50 metros livre juvenil do tradicional Troféu Chico Piscina, que pertencia a Cesar Cielo desde 2003. Durante as eliminatórias do torneio que aconteceu em Mococa (SP), há duas semanas, Matheus nadou para 23s18, superando em 11 centésimos o recorde do campeão olímpico da prova em Pequim-2008.
Entre estas apostas não está nenhuma mulher. E a não ser que apareça uma grande surpresa, o Brasil não terá novamente um nome em condições de surpreender nos Jogos do Rio na natação feminina. Explicação do por quê da falta de bons resultados ainda não há, segundo Borges. "Já a natação feminina não sei realmente o que acontece. Pode ser uma série de fatores. É uma questão muito discutida, como o masculino consegue resultados e o feminino, não, aí você começa a entrar em detalhes estéticos. Mas uma coisa é certa, quem está aí, está treinando, e igual aos homens", encerra Borges, que faz parte do Hall da Fama da Natação.


