Guilherme Guedes Pereira
Nicklaus e a natureza
No final do ano de 94 recebemos a visita de Herval de Souza Junior, mineiro que passou por Curitiba, onde estudou agronomia e hoje é representante de marketing para o Brasil, da empresa Golden Bear International Inc., projetista e construtora de resortes e campos de golfe em todo o mundo e que é de propriedade do grande Jack Nicklaus, hoje liderando o ranking da PGA Tour, que reúne os maiores jogadores de golfe do mundo. Herval morava em Miami e veio ao Brasil a pedido de Nicklaus, estudar a possibilidade de implantar seu sistema por aqui. Ele sabia que o Norte e o Nordeste dispunham das mais belas naturezas, propícias para campos de golfe e que o Sul tinha o melhor poder aquisitivo para esse tipo de negócio, daí a visita a Curitiba, já conhecida por lá como a cidade ecológica por excelência, do País.
Como a concepção de construção de campos de golfe, de Jack, na época era a de se conseguir campos perfeitos, onde as condições naturais dos terrenos nem sempre eram levadas em conta, em favor de grandes movimentos de terra, lagos, bancas moldadas com perfeição, árvores transplantadas, concordâncias cuidadosamente programadas, conseguia-se o objetivo, mas os campos eram ecologicamente incorretos.
Jack Nicklaus ainda não conseguiu seu objetivo no Brasil, mas em compensação os estudos mais detalhados mostram que se o campo é bem projetado e a natureza da área mantida, não polui o meio ambiente e consegue-se custos mais em conta. A concepção de Jack deve estar mudando.
O exemplo vem do século XVI, em que o primeiro campo de golfe natural do mundo, o Old Course, em St. Andrews na Escócia, mantém até hoje a primazia de ser o 7º entre os 100 melhores campos do mundo. O jogo foi planejado pela paisagem natural e não o inverso, como sempre ocorre nos dias de hoje. Os campos ingleses antigos, onde o golfe foi criado, foram construídos em terrenos com ondulações e depressões suaves, portanto com poucas modificações de sua natureza: a maioria data do século passado e todos ainda fazem parte da relação dos 100 melhores do mundo.
Segundo os manuais de construção, para que um campo seja agradável, relaxante e ao mesmo tempo teste a perícia dos jogadores, deve ter dose de segurança e apresentar variedades, tanto na distância entre os ‘greens’ como na dificuldade dos obstáculos. A sequência dos buracos precisa ter boa progressão, propiciar um fluxo desimpedido, de modo que os jogadores se prendam no jogo em movimento contínuo. Michel Hurdza, um dos maiores arquitetos de campo de golfe do mundo, acha inevitável algumas modificações no meio ambiente, mas sem exagero, já que ‘‘com uma motoniveladora, fertilizantes, água e dinheiro, um arquiteto constrói um campo em praticamente qualquer lugar’’.

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