Belo Horizonte, 15 (AE) - Demorou 22 anos para o Atlético-MG conhecer um novo artilheiro. Com os três gols marcados por Guilherme sobre o Corinthians no último domingo, a marca de 28 gols obtido por Reinaldo no Campeonato Brasileiro de 1977 foi finalmente alcançada. Há dois anos, o atacante Edmundo, do Vasco
superou o recorde marcando 29 gols. Ano passado, o artilheiro foi Viola, então no Santos, com 21. Para o próprio Guilherme, o sucesso dos artilheiros é resultado de uma evolução natural do futebol.
"Hoje as principais equipes têm um ataque muito eficiente", indica o goleador. "Em uma decisão entre Atlético-MG e Corinthians, por exemplo, é impossível o jogo terminar com o placar empatado por 0 a 0", acredita Guilherme. Tanto no caso de Edmundo quanto no de Guilherme, o grande número de gols marcados tem um ponto em comum: o esquema tático montado de suas respectivas equipes que privilegia a figura no centroavante. No Atlético-MG, o time joga em função de Guilherme. Os laterais Bruno e Ronildo, os meias Belletti e Robert e os atacantes Marques ou Adriano têm como meta preparar as jogadas para a finalização do goleador. No Vasco de 1997, Edmundo também era o ponto de referência da equipe.
O goleiro Velloso apresenta outro argumento que influenciou na evolução dos artilheiros. "O futebol está mais rápido que antigamente", analisa Velloso. "Com seis bolas à disposição dos gandulas, ganhou-se mais tempo de bola em campo."
Para o técnico Humberto Ramos, o gol ficou ainda mais valorizado no futebol atual. "Hoje está tudo a favor do gol", destaca Ramos. "Existe mais facilidade para os atacantes que não tinha antigamente." A evolução tática também privilegiou a figura do homem de área, para o treinador atleticano. Os laterais modernos estão constantemente servindo os atacantes, junto com os meias e os outros homens que atuam na frente. Outro fato notório é que a qualidade técnica dos atacantes brasileiros
como Guilherme, por exemplo, é superior à dos jogadores de defesa. "Nenhum técnico quer ver seu zagueiro mano a mano com o atacante adversário", salienta Ramos.
Guilherme se sente honrado em ter alcançado a marca de Reinaldo mas repete sempre que a artilharia está em segundo lugar nas suas prioridades. "O mais importante é ser campeão", afirma. Por isso, considera o feito de Edmundo ainda mais importante. "Além de goleador do campeonato ele conseguiu o principal: o título."
É preciso lembrar ainda que com o advento dos playoffs, o número de jogos que um jogador participa aumentou. Edmundo participou de 28 partidas em 1997. Com os 29 gols marcados, alcançou uma média de 1,03 gols por partida. Guilherme fez 28 gols em 25 jogos, com média de 1,12.
A média de Reinaldo é insuperável: 28 gols em 18 atuações, atingindo o índice de 1,55. Se Reinaldo disputasse o campeonato atual e jogasse o mesmo número de vezes que Guilherme, Reinaldo teria 38 gols - dez a mais que o artilheiro do Atlético-MG. Mas os tempos agora são outros.

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