Maurício Gugelmin terá de esperar o resultado de novos exames e a evolução da lesão muscular nas costas para saber se correrá o GP do Brasil de F-Indy, dias 8, 9 e 10. O diretor médico da Cart, Steve Olvey, só dará um diagnóstico depois de avaliar a extensão dos danos nos ligamentos que sustentam a coluna cervical, provocados pela batida a 240 km/h em Nazareth.
Olvey consultou o ortopedista Frank Eismont, do Jackson Memorial Hospital de Miami, um dos médicos que operaram Émerson Fittipaldi da coluna. Eismont acompanhará os novos exames de ressonância magnética. Olvey garantiu que não há necessidade de cirurgia, mas teme que o piloto force demais os ligamentos.
Ontem, Gugelmin sentia-se melhor, mas ainda reclamava de muita dor no alto das costas, onde formou-se um enorme hematoma. ‘‘Parece que apanhei uma boa surra’’, contou. Ele foi mais cauteloso ao avaliar as chances de correr no Rio. ‘‘Vai depender da evolução da lesão.’’ Na véspera, dissera ter 99,9% de possibilidades de entrar na pista. ‘‘Talvez os médicos me recomendem correr com uma pescoceira.’
Gugelmin chegou a Miami segunda-feira à noite num jatinho alugado, acompanhado por Olvey. Ele está usando um colar ortopédico para manter o pescoço reto e não forçar os ligamentos.
O piloto elogiou o trabalho de resgate da Cart. ‘‘Eles são muito bons no assunto’’, afirmou. ‘‘Foram muito calmos e precisos.’’ Assim que bateu no muro, Gugelmin sentiu a dor forte nas costas e preocupou-se em ficar imóvel. ‘‘Já tinha visto o que havia acontecido com o Émerson’’, contou. ‘‘Tentar sair do carro sozinho é besteira.’
O primeiro a atendê-lo foi o médico Terry Trammell, que operou Nélson Piquet das fraturas nos pés em Indianápolis, em 92. Outros três médicos ajudaram a imobilizá-lo e retirá-lo do carro. Gugelmin sofreu cortes na perna e nos joelhos, que bateram com força e arrancaram o painel.
Gugelmin não perdeu a consciência nem a calma. Mas considerou o acidente o mais grave da carreira - pior até do que a capotagem em Paul Ricard, na F-1, há nove anos. ‘‘Naquela vez estava a 10 km/h e agora a quase 300 km/h.’ Gugelmin jamais havia se machucado na pista, embora tivesse um rápido desmaio numa batida num teste em Elkhart Lake, em 95. Ele não teme que o acidente abale a sua confiança. ‘‘Faz parte do nosso esporte’’, disse. ‘‘Mas não foi uma falha minha, e sim do carro.’

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