Guga vence espanhol e chega à decisão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 09 de junho de 2000
Agência Estado De Paris 
Com um soco no ar e uma expressão de conquista, Gustavo Kuerten comemorou o ponto final de sua partida diante do espanhol Juan Carlos Ferrero ontem em Paris. Havia bons motivos para uma grande celebração: depois de 3h38 de uma verdadeira batalha, Guga marcou 3 sets a 2 (7/5, 4/6, 2/6, 6/4 e 6/3) e chega a sua 2ª final de Roland Garros, uma façanha para poucos.
Amanhã, a partir das 9h15, enfrenta o sueco Magnus Norman em busca do bi, numa partida que também vale a liderança do ranking da corrida dos campeões. Jamais deixei de acreditar que poderia vencer, contou Guga. Esta foi uma das melhores vitórias da minha vida.
Com jogos como este, Guga mostra que é um vencedor. Assim como já havia acontecido nas quartas-de-final, diante do russo Yevgeny Kafelnikov, o brasileiro ressurgiu das cinzas e, contra Ferrero, superou uma desvantagem de 3 a 1, para levar a decisão ao quinto set e vencer com categoria. Saí de situações difíceis e isso me deu mais força ainda para continuar acreditando, afirmou. E, como sempre o meu técnico fala, repetindo as palavras de um poeta gaúcho, Paixão Cortes, não está morto quem pelea.
Acreditar sempre foi o lema de Guga. Afinal, como explicar que em 1997, sem sequer ser um dos cabeças-de-chave da competição, alcançou o título, superando nomes como Thomas Muster, Jonas Bjorkman, Yevgeny Kafelnikov e Sergi Bruguera.
Depois deste título, Guga, é claro, sentiu a pressão da fama e o repentino estrelato. Mas voltou a subir degrau por degrau no circuito do tênis para alcançar a sua melhor fase, agora com 23 anos. Por isso, colocou o bicampeonato de Roland Garros como uma de suas três metas para a temporada de 2000. E cumpre, com a classificação para a final. Estou feliz por estar na final, revelou. É a segunda vez na vida que vou decidir o título do torneio que considero mais importante do mundo.
Para chegar a decisão do título, teve de superar um adversário de muito talento, como Juan Carlos Ferrero, de 20 anos, 16º do ranking mundial, mas que deverá colocar-se entre os 10 primeiros e permanecer entre os top por muito tempo.
No primeiro set, Guga aproveitou as poucas chances dadas para vencer por 7/5. No seguinte, descuidou-se no início, permitiu a quebra de seu serviço e perdeu por 6 a 4. No terceiro set, Ferrero teve, na verdade, um grande domínio e aplicou 6 a 2 sem muitas dificuldades. No quarto set, o espanhol voltou a estar na frente, 3 a 1, poderia ter saído da quadra vitorioso, mas o brasileiro reagiu a tempo de fazer prevalecer sua maior experiência e recursos técnicos para celebrar a classificação para a final. Estou tão entusiasmado que nem sinto cansaço, disse. Estou forte e motivado a ir para a final, ainda mais sabendo que a vitória vale também a liderança na corrida dos campeões.
Com seu jeito alegre, bem mais natural do que os outros dias em Paris, Guga mostrou confiança na possibilidade de levantar o troféu de campeão domingo. Sabe das dificuldades que encontrará diante de um tenista consistente e em boa fase como o sueco Magnus Norman, mas depois de passar por tantos obstáculos no torneio, nada parece assustar este catarinense vencedor.


