Guga pode ser número 1 se vencer Roland Garros
Por Chiquinho Leite Moreira
Paris, 14 (AE) - Parece um sonho impossível, mas Gustavo Kuerten poderá ser o tenista número 1 do mundo se vencer o torneio de Roland Garros, que começa na próxima segunda-feira em Paris. A possibilidade é remota, pois não depende apenas de Guga ser campeão. Precisará ainda contar com uma série de resultados inesperados, como, por exemplo, a derrota na primeira rodada do atual líder da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), o russo Yevgeny Kafelnikov.
Kuerten entra em Roland Garros com uma vantagem única: tem zero pontos na competição, por ter sido desclassicado na competição do ano passado. Nenhum outro jogador entre os dez do mundo entrará no Aberto da França com a possibilidade de apenas somar pontos. Todos os outros precisão descontar os conquistados no ano passado. Kafelnikov não defende campanha em Paris, mas tem computado o 14.º resultado, enquanto Kuerten (pela punição) só computa 13. Então o que no passado foi triste e difícil, hoje é um trunfo.
As contas são muitas, assim como as possibilidades em um complexo sistema de ranking, como o da ATP. Mas, para ficar mais fácil de se entender, Guga teria de ser campeão em Paris, levaria 750 pontos, e precisaria levar mais alguns pontos de bônus. Se chegar perto dos mil pontos, terminaria o torneio na frente de Kafelnikov, desde que o russo perca na sua partida de estréia. Se vencer um jogo, o sonho do brasileiro pode se desfazer, pelo menos, por enquanto.
Outros tenistas que estão à frente de Gustavo Kuerten no ranking entram na competição carregados de pontos nas costas. O espanhol Carlos Moya, campeão do ano passado, tem quase mil para defender. Pelo mesmo motivo, Alex Corretja - vice-campeão - e o chileno Marcelo Rios estão com dias difíceis pela frente.
A mais séria ameaça para Kuerten, depois de Kafelnikov, vem justamente de Patrick Rafter, que fez a final de Roma diante do brasileiro. Se ele fizer uma campanha apenas razoável já tem boas chances de se tornar o número 1. Então a torcida brasileira teria de rezar por uma derrota do australiano na terceira rodada da competição.
A "chuva" de surpresas tem de pegar muita gente em Roland Garros. Também o norte-americano Pete Sampras, vice-líder do ranking mundial, teria de cair nas primeiras rodadas. Mas, por incrível que possa parecer, Sampras scostuma padecer quando disputa torneios em quadras lentas, como o saibro de Roland Garros. Portanto, sua ameaça, embora seja grande matematicamente, tem boas probalidades de não vingar.
Outro que não anda bem em superfícies lentas, como o holandês Richard Krajicek, poderia até chegar às semifinais.
Enfim, o sonho de Gustavo Kuerten pode se concretizar desde que ele vença Roland Garros, pela segunda vez na carreira, como também faça uma campanha avassaladora, passando por adversários bem colocados no ranking para acumular pontos de bônus, cerca de 210, e que as bruxas andem soltas tirando da competição cedo da competição, os jogadores que estão à sua frente no ranking.





