Quando chegar hoje cedo de volta ao Brasil, Gustavo Kuerten espera um ‘‘refresco’’ da torcida. ‘‘Quero descansar e curtir um pouco minha família’’, avisou o jogador, eliminado do Aberto dos EUA na terceira rodada. Desde que ganhou o torneio de Roland Garros, na França, ele disse estar tentando atender aos pedidos da imprensa e dos fãs, mas se confessa cansado e pede um tempo. ‘‘Quando estive no Brasil, depois de Roland Garros, foi uma loucura’’, contou Kuerten, que teve dificuldades para sair de casa para treinar, tal o assédio recebido.
O que amenizou um pouco a situação foi ter ficado doente. ‘‘No final, dos dez dias que passei no Brasil, pelo menos cinco fiquei em casa, um pouco mais afastado dos olhos do público.’ Nas entrevistas, Kuerten evitou dizer que está incomodado, mas uma pessoa ligada ao atleta afirmou à reportagem que ele teve uma forte crise de choro, assustado com todo o assédio popular, assim que voltou ao Brasil como campeão de Roland Garros.
Depois de descansar uma semana em Florianópolis, o jogador pretende voltar ao trabalho. Em 8 de setembro, deve gravar um comercial para a Renault, em São Paulo. Em 12 de setembro, ocorre a apresentação da equipe brasileira que, na semana seguinte, inicia a repescagem da Davis, em Santa Catarina, contra a Nova Zelândia. Além de Kuerten, Fernando Meligeni, Jaime Oncins e André Sá formam o time do Brasil.
Larri Passos, técnico de Kuerten, é o mais revoltado com a atenção que o tenista tem despertado. Em Paris, após a conquista de Roland Garros, o treinador chegou a cuspir no fotógrafo de uma revista brasileira. Em Nova York, durante o Aberto dos EUA, tentou evitar que Kuerten ‘‘perdesse tempo com a imprensa’’. ‘‘Vocês não são fotógrafos, são parizzi (sic) como os da Diana’’, protestou ontem por telefone, querendo dizer paparazzi. ‘‘Nós estamos de férias e não queremos ver ninguém, muito menos falar com imprensa.’

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