Florianópolis - O tenista Gustavo Kuerten afirmou, ontem, que não pretende abandonar o esporte e que está se preparando para seu retorno às quadras. Perto de completar 30 anos - será no próximo domingo -, vestido com agasalho verde amarelo de sua própria grife, ele disse que se sente capaz de jogar em igualdade de condições com atletas mais jovens. ''O Agassi jogou até os 36 anos em nível altíssimo'', disse.
Na loja espaçosa que vende roupas esportivas com sua marca, em Florianópolis, Guga disse que as especulações a respeito de sua retirada das quadras nunca tiveram fundamento. ''Quem me acompanha de perto sabe que meu objetivo é completamente diferente'', garantiu o tenista, explicando que já retomou um ritmo de treinamento praticamente normal, embora evitando chegar aos seus limites para que a lesão no quadril não reapareça. ''Ainda estou treinando um pouco aquém do máximo''.
Há dois meses foi diagnosticada uma bursite e Guga acreditou que poderia jogar normalmente. Forçou demais e teve de parar. ''Entre o remédio e o veneno, a diferença é a dose'', disse Guga, explicando que seu esforço para retomar a forma técnica e física acabou agravando o quadro. Por isso, existe cautela na sua preparação, motivo de evitar o anúncio da data de seu retorno às competições.
Ele admitiu que jogar no Pan-Americano poderá estar nos planos do ano que vem, mas antes espera disputar outros torneios. Para a Copa Davis, na sua opinião, as chances de participar são muito remotas. No momento, diz que chegou aos 70% de sua forma ideal.
Guga está fazendo fisioterapia duas vezes ao dia e, à tarde, treina na quadra por duas horas. Ele disse que ainda falta enfrentar os movimentos mais amplos e readquirir a capacidade de executá-los automaticamente na velocidade que uma partida de alto nível exige. Por isso, embora sua vontade fosse de jogar imediatamente, aprendeu a controlar sua ansiedade. Guga relembrou alguns dos bons momentos de sua carreira e salientou que aprendeu a lidar com seus momentos de frustração: ''A vivência com Larri Passos (seu ex-técnico) me ensinou a enfrentar as decepções que existem na carreira de qualquer um''.
Para Guga os dois últimos meses trouxeram a alegria de participar mais dos negócios que envolvem as roupas com sua marca. ''Tem sido meu lazer'', disse, salientando que não está preocupado em associar o sucesso de seu empreendimento com o retorno ao cenário internacional. ''Depois que eu parar de jogar, quero que a marca tenha um caminho paralelo'', afirmou.

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