Guga não vai disputar os Jogos de Sydney
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quarta-feira, 06 de setembro de 2000
Agência Estado De Sydney, Austrália 
Gustavo Kuerten não participará mais da Olimpíada de Sydney. A decisão foi anunciada pela assessoria do tenista na noite de terça-feira, depois de o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) declarar que não faria concessões para Guga competir com outro uniforme que não o oficial da delegação brasileira. O impasse sobre a participação de Guga na Olimpíada surgiu por causa da divergência entre as fabricantes de material esportivo que patrocinam o tenista (Diadora) e o COB (Olympikus).
A assessoria de Guga informou que a Diadora chegou a abrir mão do uniforme, deixando o tenista jogar com o uniforme do Brasil, desde que o logotipo da Olympikus não aparecesse. O COB, no entanto, não cedeu, como fez com as delegações do futebol e do atletismo, que vivem a mesma situação, mas competirão com o uniforme de seus patrocinadores (Nike e Fila).
Fiquei muito triste ao ter que tomar esta decisão de não ir a Sydney. Era um sonho meu Jogar as Olimpíadas e defender o Brasil mas não poderia desonrar o meu patrocinador, a Diadora, que me apoiou desde o início da carreira e acreditou em mim, quando ninguém me conhecia e os títulos de Roland Garros passavam longe da minha cabeça. Se não fossem eles, talvez eu nem estivesse na posição em que estou hoje, afirmou Guga, no comunicado distribuído à imprensa. Gustavo Kuerten é apoiado pela empresa italiana desde 1995.
Com a desistência de Guga, o Brasil deve ficar sem representantes no tênis, já que ele também competiria em duplas com Jaime Oncins, que também deve ficar fora dos Jogos.
COB O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman reagiu com indignação à decisão do tenista Gustavo Kuerten não participar das Olímpíadas de Sydney em razão de uma divergência entre os patrocinadores. Lamento muito o fato de um tenista brasileiro se curvar diante de uma empresa estrangeira, observou.
O dirigente disse que não vai aceitar ser considerado culpado. Não vou admitir que eles coloquem a culpa no COB ou na Olympikus. É uma pena que um ídolo brasileiro não saiba se comportar como um ídolo, completou Nuzman. lembrando que atletas como Rodrigo Pessoa (hipismo) ou Torben Grael (iatismo), também fortes concorrentes ao ouro olímpico, souberam respeitar o acordo fechado com o COB. O Guga é um grande atleta, mas isso não lhe dá o direito de ser diferente dos outros. Um campeão olímpico não tem preço, acrescentou.
Nuzman voltou a dizer que o contrato para o fornecimento de material esportivo foi assinado pelo COB em março do ano passado. Disse que na época consultou todas as confederações para saber quais teriam problemas no caso de um eventual contrato de exclusividade. Somente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAT) colocaram suas posições, dizendo que tinham contrato com outros fornecedores, assinados antes desta data, explicou. segundo Nuzman, em nenhum momento a Confederação de Tênis se manifestou sobre o assunto.
Decepção A decisão do tenista Gustavo Kuerten de não participar dos Jogos Olímpicos de Sydney, em consequência de divergências entre patrocinadores, foi recebida com um misto de surpresa e decepção por membros da delegação brasileira na Austrália. O chefe da missão brasileira em Sydney, Marcus Vinicius Freire, disse que o Brasil perde uma de suas maiores estrelas e com ela, as chances de duas medalhas. Guga iria competir no torneio individual e nas duplas, com Jaime Oncins, que com isso, também perdeu sua chance de disputar os Jogos. Apesar do anúncio, feito pelo próprio jogador, no Brasil, Freire disse que ainda tem esperanças de contar com Guga. O dirigente lembra que o prazo para a inscrição final do tenista termina no dia 14 e até lá, ainda aposta em uma reviravolta.
O chefe da equipe de vela, Reinaldo Camara, lamentou muito a ausência de Guga. Tenho certeza que essa decisão não partiu dele. Isso é problema exclusivo de patrocinadores. Ele me disse um dia desses que, por ele, competiria até sem camisa, afirmou. O médico-psiquiatra e consultor organizacional, Roberto Shinyashiki, que dá apoio psicológico aos atletas da delegação brasileira, disse que a decisão de Guga não deverá provocar efeito negativo sobre o grupo. Não haverá nenhuma interferência do ponto de vista emocional. Os atletas estão suficientemente preparados para enfrentar situações desse tipo, sem traumas, garantiu ele. O Guga não era um fator motivador para eles, explicou.


