São Paulo, 25 (AE) - Com a conquista do título do Super 9 de Montecarlo, o tenista Gustavo Kuerten não só garantiu sua volta ao grupo dos 15 primeiros do ranking mundial, como marca o início de uma nova era em sua carreira.
Bem mais maduro do que quando conquistou Roland Garros, em 1997, Guga agora coloca-se definitivamente entre as estrelas do esporte e em condições de brigar pelos maiores torneios, sem pecar pela inexperiência e sofrer tanto com as pressões, como mostrou depois de ter ganho em Paris. A vitória sobre Marcelo Rios por 6/4, 2 a 1 e desistência do tenista chileno (por contusão na coxa direita), premiou uma semana de bons resultados do brasileiro.
"Ganhei respeito", enfatizou Kuerten por telefone, após sua vitória sobre Rios. "Quando ganhei Roland Garros ainda não era um grande tenista e tive de me adaptar aos grandes torneios", prosseguiu. "Comecei a participar das principais competições e ver como eram, descobri vários segredos e agora sei como as coisas são".
Homenagem - A vitória em Montecarlo também teve a marca da emoção. Na cerimônia de premiação, Gustavo Kuerten, depois de ouvir o hino nacional, lembrou que a última vez que havia visto a bandeira brasileira brilhando no céu de Mônaco tinha sido com Ayrton Senna. Guga foi bastante aplaudido pelo público e, inclusive, cumprimentado pelo principe Albert, da Mônaco.
A emoção de Kuerten encobriu um pouco a decepção proporcionada pela desistência de Marcelo Rios. O tenista chileno teve de desistir do jogo no início do segundo set, por causa de uma contusão na coxa direita. O brasileiro havia vencido o primeiro set por 6/4 e liderava o segundo por 2 a 1, com uma quebra de serviço a ser favor. Rios foi vaiado e tentou amenizar, explicando que no sábado, nas semifinais, diante de Jerome Golmard, sentiu a contusão e esperava estar em condições de disputar a final, o que não aconteceu.
Esta desistência de Rios não tirou o entusiasmo de Kuerten. Ele gostaria que fosse diferente, especialmente em razão do dia de sol, (bem melhor do que no sábado) do bom público e do glamour da quadra central de Montecarlo. "Tínhamos tudo para dar um bom espetáculo", contou. "Mas ainda assim, considero esta vitória a segunda mais importante da minha vida, depois de Roland Garros."
Este foi o quarto título importante na carreira de Gustavo Kuerten. Ganhou Roland Garros em 1997, venceu ainda os torneios de Stuttgart e Palma de Maiorca, em 1997, e antes havia sido campeão do Embratel Cup de Campinas e do challenger de Curitiba.
Prêmios - A conquista do título de Montecarlo, considerado o segundo torneio do mundo em quadras de saibro (só perdendo para Roland Garros), garantirá algumas posições no ranking mundial para Kuerten, que deixa a 19.ª colocação e voltará a figurar entre os 15 primeiros da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Pela vitória, Guga somou 480 pontos, sendo 370 pela campanha e outros 110 de bônus. Além de subir no ranking, o brasileiro também embolsou um prêmio de US$ 361 mil.
Se mantiver um lugar entre os 16 primeiros nas próximas semanas, Gustavo Kuerten terá a chance de sair como cabeça-de-chave no torneio de Roland Garros, que começa dia 24 de maio, em Paris. Mas, para isso, Guga terá de apresentar regularidade nas próximas competições. Afinal, defende boas campanhas nos dois próximos Super 9. Em Hamburgo chegou às quartas-de-final, e em Roma ganhou 180 pontos pelas semifinais.
Portanto, Guga ainda não está assegurado como cabeça-de-chave em Roland Garros, como já estão falando.
Sair como cabeça-de-chave em Paris seria uma grande vantagem. Só assim, Kuerten estaria livre de enfrentar os principais favoritos nas primeiras rodadas. Para manter uma boa posição na ATP, Guga volta às quadras esta semana para a disputa do BMW Open de Munique, torneio com premiação de US$ 500 mil. A estréia do brasileiro será nesta terça-feira diante do italiano Vincenzo Santopadre, número 109 do ranking mundial. Mas Kuerten já advertiu: vai jogar relaxado, sem cobrar resultados e sem pensar em título, por enquanto.

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