São Paulo, 24 (AE) - O exuberante e charmoso cenário do principado de Mônaco vai ter neste domingo um duelo sul-americano. Gustavo Kuerten, 17.º do ranking mundial, e o chileno Marcelo Rios, 13.º, disputam o título do Super 9 de Montecarlo, em jogo, em melhor de cinco sets, que a TV Manchete anuncia transmissão ao vivo, a partir das 9h30, horário de Brasília.
Guga garantiu sua classificação para a final, com uma difícil e emocionante vitória sobre o espanhol Felix Mantilla, por 2 sets a 1, parciais de 3/6, 6/3 e 6/4, enquanto Rios superou o francês Jerome Golmard por 6/4, 3/6 e 6/2. O campeão vai levar um prêmio de US$ 361 mil dólares, além de somar mais de 400 pontos para o ranking da Associação dos Tenistas Profissionais. Se o brasileiro vencer, certamente, terá assegurada sua volta ao grupo dos 15 primeiros da ATP.
Para Gustavo Kuerten a final deste domingo será uma revanche. Da última vez que enfrentou Rios, no ATP do Estoril, em Portugal
o brasileiro perdeu em dois sets e agora vê a chance de uma vingança. "O Rios está confiante depois da última vitória", disse Kuerten. "Para mim é sempre muito difícil enfrentá-lo, mas vou colocar na minha cabeça a chance de uma revanche e tentar tirar proveito disso, aumentando minha motivação." Dos três jogos oficiais disputados entre Guga e Rios, o tenista chileno venceu dois. No Estoril, recentemente, marcou 6/4 e 6/3, e ganhou também há quase um ano, na semifinal do Super 9 de Roma, por 6/0 e 7/5. A única vitória de Kuerten foi em quadra dura, em Long Island, por 6/3 e 7/6 (7/4). Houve mais um jogo em Porto Alegre -exibição - com vitória de Rios.
Uma vantagem de Kuerten neste final seria de aproveitar o fato de ter melhor preparo físico do que Rios para vencer um jogo programado para melhor de cinco sets. Mas Guga não transmitiu muita tranquilidade com a previsão de uma partida demorada. "Não sei como vou reagir em uma partida demorada", disse. "Estou cansado e preciso relaxar para estar em boa forma na decisão." Esta é a segunda vez que Gustavo Kuerten vai a uma final de Super 9. A primeira foi em 1997, no Du Maurier Open, em Montreal, quando o brasileiro perdeu para o norte-americano Chris Woodruff, em quadra rápida. Agora, Kuerten está em sua superfície predileta e num momento especial da carreira. Vem conquistado excelentes resultados, joga com confiança e recuperou a condição de estrela nos grandes torneios.
A campanha em Montecarlo também já deverá colocar Gustavo Kuerten de volta ao grupo dos 15 primeiros do ranking mundial, ocupando a posição do sueco Thomas Enqvist. Com a classificação para a final, Guga acumulou 321 pontos e se for campeão ganhará 480 pontos, garantindo cerca de quatro ou cinco posições no ranking.
Fim do tabu - A vitória de Gustavo Kuerten diante do lutador Felix Mantilla, número 17 do ranking mundial, confirmou o que o tenista havia dito no dia anterior, ou seja, que se encontra melhor preparado do que quando venceu Roland Garros, em 1997. Agora, Guga mostra um número maior de jogadas e opções ofensivas. É claro que mantém seu estilo de arriscar e colocar bolinhas em cima da linha, mas, sem dúvida alguma, soube controlar bem mais os pontos e vencer com muita garra nas disputas de pontos.
"Senti um pouco o início da partida, pois estava irritado com a chuva e perdi a concentração", contou Kuerten. "Precisei de muita garra e determinação para reagir e vencer este jogo." Para Gustavo Kuerten está vitória teve também um sabor de vingança.
Nas três vezes anteriores que se enfrentaram, Mantilla mantinha o tabu de ter vencido todas. Mas, desta vez, apesar de toda a garra apresentada pelo espanhol, Guga soube como dominar e garantir a classificação para a final de Montecarlo, na busca de seu primeiro título de um Super 9.
"Sabia que teria um jogo difícil, afinal, para superar um espanhol precisaria passar horas lutando", contou. "A chave foi que fiz um jogo agressivo e não desanimei por nenhum momento
sempre pensei positivo." Gura até ironizou dizendo que vai checar se em sua família não há nenhum espanhol, pois está tomando conta de um domínio dos tenistas da Espanha: os torneios em quadras de saibro.
Cores discretas - O jeito de Gustavo Kuerten também voltou a chamar a atenção em Montecarlo, onde ganhou a preferência na torcida. Muitos estão estranhando suas cores discretas, como o preto e cinza, depois de ter aparecido em uniforme berrante, há dois anos, quando venceu Roland Garros. "Naquela época todo mundo estava prestando muita atenção às minhas roupas", contou. "E agora a Diadora vem buscando sempre fazer algo diferente para mim e penso que estas cores devem durar por um bom tempo."

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