Guga esquece do quadril contra espanhol
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domingo, 30 de maio de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Gustavo Kuerten entra em quadra hoje, às 7 horas, em busca de uma vaga nas quartas-de-final de Roland Garros sem demonstrar muita preocupação com suas atuais condições físicas. O tricampeão do torneio enfrenta o espanhol Feliciano Lopez, 25º do mundo, e diz que um confronto demorado não o assusta. ''Para mim, quanto mais longo o jogo, mais difícil'', disse ele. ''Mas sei também, depois do primeiro jogo, que mesmo com dor consegui jogar o meu melhor tênis naquele quinto set e sei que, se precisar, na hora h, vou estar lá.''
O brasileiro se referia à partida contra o espanhol Nicolas Almagro, quando abriu 2 a 0, mas depois sofreu com as dores e só conseguiu vencer por 3 a 2 após três horas e sete minutos em quadra. Após a estréia, Guga disse que as dores começavam a aumentar aos poucos depois de ''uma hora e meia, duas horas de jogo''.
Apesar de seus três títulos no saibro de Paris, o brasileiro chegou à França como uma grande incógnita por causa de seu período de três semanas de inatividade. Após abandonar uma partida no Torneio de Barcelona, ele desistiu de jogar os Masters Series de Roma e Hamburgo para tratar do quadril direito, o mesmo que o levou à mesa de operação em 2002.
Guga, porém, ganhou motivação ao derrotar, de maneira esmagadora (3 a 0), o líder do ranking, o suíço Roger Federer, sábado, na terceira rodada. Guga, que nas duas primeiras rodadas havia atuado em quadras secundárias, voltou a despertar grande interesse, mas diz que precisa manter a concentração. ''Não é só porque ganhei do Federer que o cara vai entrar lá de outra maneira para jogar contra mim. Tenho que mostrar que estou pronto de novo'', afirmou ele, que atua pela segunda vez consecutiva na quadra central.
Ontem, o tenista repetiu a rotina que adotou após os jogos: trabalho de recuperação na piscina pela manhã, fisioterapia, um treino no final da tarde e mais uma sessão de fisioterapia depois.
Guga afirmou esperar que Lopez tente explorar seu problema. ''Ele está jogando bem e vai entrar com tudo. Ele sabe o que eu estou vivendo e que, se o jogo se alongar, vai ser melhor para ele.''
Kuerten afirma que a estratégia para a partida já está pronta. ''Tenho que jogar a bola profunda, fazer ele jogar o ponto e tentar dificultar os games no saque dele. A devolução vai ser 50% do jogo'', disse o brasileiro, que sábado treinou com um juvenil, que, assim como Lopez, é canhoto.
Diferentemente da maioria de seus compatriotas, Lopez não é um especialista no saibro. A única final de sua carreira, no Torneio de Dubai, em março, quando perdeu para Federer, foi disputada em quadra rápida. O saque potente é o quarto no ranking de velocidade e assumiu a ponta no de aces é uma das principais armas do espanhol.


