Guga é tricampeão em Roland Garros
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de junho de 2001
Agência Estado De Paris, França 
O tenista brasileiro Gustavo Kuerten entrou ontem para a história do tênis mundial, ao conquistar pela terceira vez o título do Torneio de Roland Garros o segundo Grand Slam da temporada. Guga venceu o espanhol Alex Corretja por 3 sets a 1 parciais de 6/7 (7x3), 7/5, 6/2 e 6/0, em pouco mais de 3h10 de partida.
Com mais este título, Guga entra para um seleto grupo. Até agora, apenas outros três tenistas no mundo haviam conseguido a proeza do tricampeonato em Paris: Ivan Lendl, Bjorn Borg e Mats Vilander. Guga venceu o torneio em 97, 2000 e 2001.
Além do tri, Guga conseguiu unificar os rankings da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Agora, o brasileiro é líder no ranking de Entradas que leva em conta o desempenho do tenista nas últimas 52 semanas e, no ranking da Corrida dos Campeões, que conta somente os resultados da atual temporada. Ele passa ainda a integrar o clube dos jogadores com mais de US$ 10 milhões em prêmios.
Guga teve problemas apenas nos dois primeiros sets. Corretja venceu o primeiro set por tiebreak 7/6 (7x3), na série mais longa da partida. Foi disputada em 76 minutos. O tenista brasileiro melhorou no segundo set e empatou a partida fechando em 7/5 em 57 minutos. O terceiro foi mais fácil: Guga recuperou a confiança e fechou a série em 6/2, em apenas 36 minutos. No quarto set, venceu por 6/0. Artista da raquete, ele transformou a quadra central de Roland Garros em seu atelié, com golpes plásticos e traços geniais.
Em um clima de grandes nomes e do inusitado em um torneio de tênis, que teve comparações a pintores como Picasso feita pelo russo Yevgeny Kafelnikov Guga voltou a mostrar sua criatividade. Desenhou pela segunda vez um coração na quadra, mas agora no lugar de ajoelhar-se para mandar beijos para a torcida, deitou-se como que agradecendo aos céus por mais uma conquista histórica em Paris.
As surpresas continuaram. Guga fez discurso em francês. Nada muito sofisticado, mas o suficiente para a torcida entender e emocionar-se. Aprendi o que tinha de falar apenas no sábado, contou o tenista. Juntei um monte de palavras que conheci e fiz o agradecimento, prosseguiu. O tenista também fez questão de agradecer em sua língua natal. É uma sensação ótima a der ter vencido. Foi uma partida muito dura. Eu estava nervoso no início mas terminei jogando meu melhor tênis, disse em português.
Além da qualidade do adversário, Guga lutou com adversidades climáticas. Especialmente no primeiro set, as condições não estavam boas para o tenista brasileiro. Muito vento, uma certa garoa e o nervosismo colaboraram para deixar esta conquista ainda mais valiosa e difícil. O vento atrapalhou muito. Eu gosto de jogar sempre buscando a linha, tentando bolas arriscadas e tudo estava muito difícil, disse. O pó da quadra também atrapalhou bastante, especialmente para mim que uso lentes de contato, mas, felizmente, no fim tudo deu certo.
Guga realmente teve sua atuação prejudidada pelas condições do tempo. Em certa jogada, aplicou um lob bem dado (bola por cima do adversário). Mas, de repente uma rajada de vento diminuiu a força do ataque do brasileiro. Deu tempo para Correjta recuperar-se, buscar o contra ataque e devolver a bola para a quadra de Guga. Com areia penetrando em seu olho, ele não teve condições de executar bem um voleio e acabou perdendo o ponto.
Mas como a sorte também faz parte da carreira de Guga, de repente, as condições do tempo melhoraram e ele pôde enfim jogar da maneira que mais gosta, atacando e dominando o adversário.


