Com banho de champanhe em plena quadra central, Gustavo Kuerten foi coroado como ‘‘roi de France’’, ao conquistar o bicampeonato de Roland Garros, com uma impressionante vitória sobre o sueco Magnus Norman por 3 sets a 1, parciais de 6/2, 6/3, 2/6 e 7/6 (8x6). Com a vitória, Guga subiu ao topo do ranking da corrida dos campeões e, pela primeira vez na história, um brasileiro assume a posição de número 1 do tênis mundial.
‘‘Realizei novamente um sonho’’, celebrou Guga. ‘‘Mais uma vez meu nome entra para a história, como bicampeão de Roland Garros.’’ A conquista valeu a Guga 200 pontos para a lista da corrida dos campeões, destronando Norman da posição de número 1. Vale também ao tenista o status de um dos maiores ídolos do esporte brasileiro, numa modalidade que ele mesmo popularizou e despertou o interesse do grande público.
‘‘Não me sinto um grande ídolo’’, avisou Guga. ‘‘Mas fico feliz por levar alegria a muita gente a cada torneio que ganho.’’ Em Paris, Guga mostrou o seu lado carismático. Muitos brasileiros viajaram especialmente para ver seus jogos em Roland Garros. E o boletim oficial do torneio estampou na sua última edição ‘‘Kuerten, roi de France’’, dando uma importância real à conquista na quadra.
Esta segunda conquista em Roland Garros significou para Guga um aval pelo que tinha feito em 1997. Para o tenista, se alguém ainda tinha dúvidas de seu potencial, agora acredita que consolidou-se como um dos melhores tenistas do mundo.
‘‘Acho que o bicampeonato foi como um certificado’’, disse Guga. ‘‘Depois de ganhar o título de Roland Garros a primeira vez passei por momentos difíceis e nos últimos dois anos venho conseguindo bons resultados’’, prosseguiu.
Com os 200 pontos ganhos em Paris, Guga passa a ser o sexto jogador do ano a liderar o ranking da corrida dos campeões, mas sua conquista tem uma importância especial, por vir numa época do ano em que vários bons jogadores estão na disputa. Não foi nada parecido com o começo da temporada, quando a liderança andou pelas mãos de jogadores como Fabrice Santoro e Lleyton Hewitt.
Depois destes dois jogadores que venceram torneios sem a mesma importância do Grand Slam, a liderança da corrida foi para Andre Agassi, que ficou 11 semanas na posição, seguido de Yevgeny Kafelnikov, por quatro, Magnus Norman, três, e agora o reinado passa a ser de Guga.
‘‘Como já havia dito, perto do meio do ano a liderança da corrida estaria bem mais perto da realidade de mostrar realmente quem está no melhor momento’’, contou Guga. ‘‘No início do ano não fui bem, mas agora chegou a minha hora.’’ No topo da lista da corrida, Guga não vai ver, porém, seu nome no primeiro lugar do ranking de 52 semanas, o sistema antigo levando em conta os 18 melhores torneios e descontando os resultados obtidos no ano anterior. Nesta classificação, o brasileiro praticamente não vai mudar de posição. Ocupa o quinto lugar e deverá estar nesta segunda feira em quarto lugar, subindo apenas uma posição, ficando atrás de Andre Agassi, Pete Sampras e Magnus Norman.
Neste sistema antigo de ranking, em vigor desde 1973, apenas 17 jogadores assumiram a liderança. Nesta classificação, Guga também tem esperanças de assumir a primeira posição para certificar a liderança da corrida.

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