Agência Estado
Ansiosos por saber como irão reagir na volta às quadras de saibro, Gustavo Kuerten e Fernando Meligeni estréiam hoje no Mercedes Cup, torneio com US$ 1 milhão em prêmios. Guga, número cinco do ranking mundial, e campeão do ano passado enfrenta o sueco Magnus Norman, às 7 horas de Brasília, enquanto Fernando Meligeni joga com o argentino Gaston Gaudio, às 6 horas.
Guga fez um caminho curioso nas últimas semanas, desafiando sua versatilidade. Jogou na grama de Wimbledon, depois na altitude de Gstaad, na Suíça, no tapete do ginásio de Pau, na França; e agora precisa reencontrar seu jogo no saibro de Stuttgart. ‘‘Não dá para pensar ainda em outro título’’, afirma Guga. ‘‘Se ganhar um ou dois jogos, talvez possa ir longe no campeonato.’
Fernando Meligeni andou por terrenos parecidos com o de Guga, nas últimas semanas. Foi para Gstaad, torneio disputado a pouco mais de 1,2 mil metros de altitude, perdeu logo na primeira rodada e iniciou treinamentos nas quadras rápidas. Seguiu com a equipe da Davis para a França e agora espera muitas dificuldades em Stuttgart, embora seu estilo seja tipicamente de saibro.
‘‘A Davis é um mundo diferente e na volta aos torneios normais é difícil recolocar o foco no jogo’’, conta. ‘‘Tivemos um fim de semana em que muita coisa passou pelas nossas cabeças, muita responsabilidade e pressão por estar defendendo o País’’, prosseguiu. ‘‘A Davis é quase como estar num Olimpíada’’.
A receita de Meligeni para superar esta transição e retomar a carreira é parecida com a de Guga: vencer as primeiras rodadas e ultrapassar a barreira da readaptação. ‘‘É preciso estar consciente de que vou errar muito’’, afirma. ‘‘Tenho de estar preparado para isso, não me desesperar e perder a cabeça, senão o jogo vai junto.’
Guga concorda com teoria e garante que será impossível manter o mesmo nível de jogo durante toda a partida. ‘‘Tenho de estar mentalmente tranquilo’’, diz. ‘‘O Norman é um adversário difícil, saca muito bem e tem todos os golpes. As coisas não estão muito fáceis, mas acho que se ganhar umas rodadas posso crescer e fazer um bom torneio’’. Se vencer Norman, a quem já enfrentou duas vezes com uma vitória de cada jogador, Guga por ser cabeça-de-chave número 1 já estará classificado para as oitavas-final e terá garantido 41 pontos na ATP, em que tem 391 a defender.
Meligeni também espera muita luta para seu jogo de estréia. O adversário, o argentino Gaston Gaudio, de 20 anos, número 65 do ranking, vem de bons resultados, chegou à terceira rodada de Roland Garros e é um jogador perigoso nas quadras de saibro. ‘‘Vou ter de estar preparado para ficar muito tempo na quadra trocando bola’’, diz. ‘‘Terei de jogar bem para vencer e esperar que a cabeça não voe.’’
Guga, além de ser atual campeão em Stuttgart, tem ascendência alemã e anda acompanhado da avó Olga, fluente na língua. Por onde quer que passe, Guga é reconhecido e cercado por fãs em busca de fotos com o ídolo e autógrafos.Campeão do ano passado, o tenista brasileiro é o cabeça-de-chave número um do torneio. Meligeni enfrenta o argentino Gaston Gaudio
Arquivo/FolhaFavoritoGuga vai estar disputando 391 pontos no torneio que teve largada ontem e pagará US$ 1 milhão em prêmios

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