Guga dá favoritismo ao Brasil na Davis
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sexta-feira, 21 de janeiro de 2000
Por Chiquinho Leite Moreira 
Melbourne, 21 (AE) - O clima não está nada favorável, depois da campanha na Austrália, mas ainda assim Gustavo Kuerten não teve dúvidas em colocar o Brasil como favorito para o confronto diante da França, pela primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis, de 4 a 6 de fevereiro, em Florianópolis. Disse que jogando em casa, numa quadra de saibro, tanto ele, como Fernando Meligeni estão em condições de conquistar uma vitória e manter a equipe brasileira no grupo de elite da competição. O país que perder esta série de jogos vai para a repescagem.
A prematura eliminação de Guga, em Melbourne, pegou até mesmo os franceses de surpresa. Na correria dos jogos das primeiras rodadas, em que todas as quadras estão lotadas, não houve tempo para pensar na Copa Davis. Assim, o único jornal francês a falar sobre o assunto foi o Le Parisien, que insistiu em uma entrevista com o brasileiro. Como Kuerten já estava em viagem de volta, por muita sorte o serviço de mídia da Federação Internacional de Tênis (ITF) conseguiu marcar o encontro.
Com a cabeça um pouco mais fria, um dia depois da derrota para o espanhol Albert Portas, Guga não colocou obstáculo para falar sobre a Davis. Sua decisão foi bem aceita pelo departamento de comunicações da ITF, afinal, depois de resultados ruins, os grandes jogadores só querem mesmo ir embora e normalmente recusam qualquer entrevista. O único pedido do jogador foi a de avisar também a imprensa brasileiraem Melbourne.
Guga estava ainda um pouco abatido, sinal do seu inconformismo pela eliminação na Austrália. Mas não se deixou envolver pelo clima e falou com tanta confiança sobre a Davis que parece não admitir outro resultado, senão a vitória, nestes jogos diante da França.
"Todas as condições são melhores para nós", afirmou Guga. "Escolhemos a quadra, vamos ter o apoio da torcida e ganhamos até mais tempo para treinar", ironizou o fato de sair tão cedo da Austrália.
Para Guga, a torcida vai dar o tom neste encontro com a França
atual vice-campeão da competição. E, de forma otimista, espera que o Brasil saia na frente por 2 a 0, já nos dois primeiros jogos de sexta-feira.
"Na Davis é muito importante começar bem", disse. "Estes dois primeiros jogos de simples podem ser decisivos." Com o físico em ordem e poucos jogos realizados neste início de ano, Guga não vê motivos para preocupação em ter de disputar três dos cinco jogos da Davis, jogando simples e duplas. "Já fiz isso outras vezes e agora, especialmente, não acredito em qualquer problema."
Mesmo assim, Guga não abriu mão de uma semana de férias após o confronto da Davis. No ano passado, sempre que terminava um confronto ia direto para outros torneios e tanto no Estoril - depois de enfrentar a Espanha, em Lérida - como em Stuttgart - após joga com a França, em Pau - o tenista brasileiro não teve condições de ir bem na competição do circuito profissional.
Desta vez, ganhou também descanso antes, com a prematura saída da Austrália. E depois da França terá mais duas semanas antes de reiniciar as competições da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP).


