Com um talento indiscutível, o tenista catarinense Gustavo Kuerten, o Guga, campeão de Roland Garros de 1997, nem sempre consegue os resultados esperados. Mas isto ele espera que mude. Já não são poucas as vezes que perde para adversários teoricamente mais fracos, como aconteceu no recente US Open, disputado em Nova York, quando foi eliminado pelo sul-africano David Naikin, de 28 anos de idade e que nunca esteve entre os líderes do ranking.
Para Larri Passos, seu treinador e responsável pela sua formação, o culpado por isso é a instabilidade emocional do tenista. ‘‘O público tem de compreender que o Guga está numa fase de amadurecimento’’, afirma Passos. ‘‘Tênis é momento: às vezes o jogador não acorda bem e perde jogos que deveria ganhar.’’
Passos compara o atual momento de Kuerten com o que passou o australiano Patrick Rafter. O bicampeão do US Open enfrentou dificuldades até atingir o amadurecimento profissional. Não conseguiu sequer se manter entre os 50 do mundo, quando todos esperavam que fosse vencer todas as partidas. Só agora, com 24 anos de idade, chega ao auge da forma e da estabilidade emocional.
‘‘É muito difícil para um garoto como o Guga conviver com todas as transformações que surgiram em sua carreira de uma forma rápida’’, explica Passos. ‘‘O assédio, as garotas, a fama, tudo faz com que um dia ele esteja bem e no outro não mantenha esta tranquilidade.’’
Agora, na Copa Davis, em Florianópolis, Gustavo Kuerten vive um momento também delicado. Joga ao lado de sua torcida, na sua cidade e tem ainda de provar que estava certo, quando pediu a mudança na comissão técnica da equipe brasileira. O tenista ficou preocupado, estava apreensivo, mas agora parece estar bem. ‘‘Eu gosto de jogar a Copa Davis, que é uma competição diferente dos torneios do circuito e me sinto bem’’, disse. ‘‘O clima da equipe está gostoso e quero aproveitar este momento, acho que ajuda inclusive na parte emocional.’’
Para que possa aproveitar, relaxar e amadurecer, Kuerten mudou inclusive seu calendário para este final de ano. Até dezembro jogará poucos torneios e resolveu fugir da tensão da disputa do circuito europeu de quadras cobertas. Com isso, fica no seu piso preferido, o saibro, e para a próxima temporada espera já ter um bom início e, quem sabe, voltar a celebrar um título importante, como fez este ano em Stuttgart e em 1997 em Roland Garros.Arquivo FolhaMomento delicadoGuga durante treino em Florianópolis: instabilidade emocional muitas vezes impede resultados que, para ele, seriam fáceisAgência Estado

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