Gustavo Kuerten, de 24 anos, é o último número um do tênis masculino mundial do século. De forma incontestável, o brasileiro derrotou ontem à tarde o norte-americano Andre Agassi, 30 anos e sétimo lugar no ranking da ATP, por 3 a 0 (6/4, 6/4, 6/4), na final do Masters Cup de Lisboa, que reuniu os oito melhores jogadores da temporada. Com a vitória, Guga – que havia perdido para Agassi na estréia do torneio – se transformou no primeiro sul-americano a terminar o ano no topo do esporte.
‘‘Este é o dia mais feliz da minha vida’’, afirmou Kuerten, que, com o Masters, acumula dez títulos profissionais na carreira. Das dez conquistas, cinco se deram em 2000, quando se firmou como um jogador completo – foi campeão no saibro, sua especialidade, e também em quadras rápidas, como a de Lisboa.
A conquista histórica do tenista brasileiro coloca o País em um dos clubes mais fechados e exclusivos do esporte mundial. Desde que o ranking masculino profissional foi criado, em 1973, apenas quatro países haviam tido um tenista no topo da lista ao final de uma temporada.
Potências do tênis, casos típicos de Austrália e Espanha, nunca saborearam o gosto de ver um atleta seu terminando o ano na liderança do ranking mundial, que em 2000 teve um sistema diferente – cada jogador começou o ano com zero ponto. A fórmula, criticada no início, transformou a luta pelo primeiro lugar em disputa emocionante nesta semana.
Ao contrário de outros anos, em que o circuito chegava ao Masters com seu campeão da temporada já decidido, o topo da modalidade em 2000 só foi decidido no último jogo do ano, embora tenham sido realizadas durante a temporada mais de 3 mil partidas.
Com a vitória sobre Agassi, Kuerten terminou a Corrida dos Campeões com uma diferença de apenas 15 pontos – 839 a 824 – sobre o russo Marat Safin, que começou a disputa do Masters com uma vantagem de 75 pontos sobre o brasileiro e foi eliminado nas semifinais.
Hoje, a ATP, que gastou milhões de dólares para promover os tenistas mais jovens, deve anunciar o brasileiro no primeiro lugar do ranking de entradas, o antigo sistema que continua existindo para definir os cabeças-de-chave dos torneios da entidade.
Com o título do Masters de Lisboa, que acabou lhe rendendo US$ 1,4 milhão como prêmio, o brasileiro, que no próximo Aberto da Austrália será o cabeça-de-chave número um em um Grand Slam pela primeira vez, será o tenista que mais faturou no ano – US$ 3,45 milhões.
Amigos – Jaime Oncins e Fernando Meligeni, amigos do número um na Corrida dos Campeões, exaltaram a conquista de Kuerten. Meligeni destacou a mudança no jogo de Guga desde o início da carreira. Segundo ‘‘Fininho’’, ele é um jogador muito mais completo hoje em dia, com capacidade de atuar bem em qualquer piso. ‘‘O título tirou qualquer tipo de dúvida de que ele era o número 1. Ele desbancou Pete Sampras e Andre Agassi, o que não é tarefa fácil’’ comentou. Oncins, seu parceiro de duplas na Copa Davis e nas Olímpiadas de Sydney, vibrou bastante com a conquista do amigo. ‘‘A vitória foi fantástica. A Copa do Mundo é tão importante quanto conquistar um Grand Slam’’.

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