A definição sobre a ida de Gustavo Kuerten à Olimpíada de Sydney foi adiada mais uma vez e pode sair hoje. Guga, que está treinando em Florianópolis e tem viagem marcada para a Austrália na sexta-feira, ainda aguarda um acordo entre seu patrocinador, a Diadora, e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB), apoiado pela Olympikus.
Os empresários do tenista fizeram nova reunião ontem, para tentar tornar viável a participação de Guga nos Jogos. Rafael Kuerten, irmão do atleta, e diretores da Diadora ainda não se pronunciaram oficialmente a respeito do assunto, mas são firmes na exigência de que ele use uniformes do patrocinador pessoal nas partidas em Sydney. Se Guga conquistar uma medalha, porém, terá de usar o abrigo oficial da delegação brasileira, o da Olympikus, no pódio.
Todos os atletas que participarão da Olimpíada devem usar o uniforme do patrocinador oficial do Comitê Olímpico de seu país quando forem receber suas medalhas. As exceções ocorrem apenas durante a disputa dos jogos. No caso do Brasil, a seleção de futebol poderá ostentar a marca Nike e o atletismo exibir o logotipo da Fila. O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, também não abre mão do uniforme oficial.
Revista – Gustavo Kuerten? Robert Scheidt? Não, eles não são estrelas dos Jogos de Sydney-2000. Pelo menos na opinião do Socog, comitê responsável pela organização dos Jogos Olímpicos. Dois dos mais destacados atletas de seus esportes na atualidade, Kuerten e Scheidt foram barrados da revista oficial de apresentação da Olimpíada. O caso de Scheidt, medalha de ouro no iatismo em Atlanta-96, é o que mais chama a atenção.
O Socog destaca seu maior rival, o britânico Ben Ainslie, derrotado por Scheidt há quatro anos, como o homem a ser observado em Sydney. ‘‘Ele é um dos maiores talentos do iatismo’’, diz a publicação. Na apresentação do tênis, o grande destaque é Andre Agassi, atual campeão olímpico. Despontam ainda, para o Socog, a sensação caseira Patrick Rafter, o russo Yevgeny Kafelnikov, o alemão Nicolas Kiefer e o britânico Tim Henman. Líder da Corrida dos Campeões e maior estrela da delegação brasileira, Kuerten não é citado. Por outro lado, a revista abre generoso espaço para outro atleta nacional: Rodrigo Pessoa, atual campeão mundial de hipismo.
Quem também recebe atenção especial na apresentação dos Jogos é a seleção feminina de basquete, chamada de ‘‘revelação de Atlanta’’ e que, na opinião do Socog, tem disputado com a Austrália o segundo lugar na lista de potências da modalidade, atrás dos EUA. ‘‘Isso dá uma idéia da importância do confronto entre Brasil e Austrália no dia 18 de setembro. O vencedor provavelmente acabará como primeiro do grupo e não deverá enfrentar os EUA até a final’’, afirma a revista. No vôlei de praia, o comitê afirma que o Brasil ‘‘tomou o lugar dos EUA como a grande superpotência da modalidade’’ e realça as boas perspectivas para o país no feminino, com Adriana Behar/Shelda e Sandra Pires/Adriana Samuel, e no masculino, com Emanuel/Loiola e Zé Marco/Ricardo. Por fim, o Socog aborda um dos maiores paradoxos da história olímpica: o fato de o Brasil, tetracampeão mundial de futebol, jamais ter conseguido a medalha de ouro nos Jogos.
Campanha – O presidente do COI, Juan Antonio Samaranch, chegou ontem a Sydney parecendo político em campanha. Ele determinou que seja feito um exame minucioso em toda a organização da Olimpíada, para que nada dê errado. E pediu mais espaço para as mulheres nos próximos Jogos.

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