Por ‘‘um quarto de centímetro’’, como ele mesmo disse, Gustavo Kuerten não foi eliminado ontem de Roland Garros. Depois de salvar um match point no 3º set, o brasileiro, pela 1ª vez nas 6 vezes que esteve no Grand Slam francês, teve força para virar um jogo que perdia por 2 sets a 0.
Assim, ao vencer o norte-americano Michael Russell, por 3 a 2 (3/6, 4/6, 7/6, 6/3 e 6/1), 122º do ranking de entradas, garantiu uma vaga nas quartas-de-final da competição, quando irá enfrentar, amanhã, o russo Ievguêni Kafelnikov, a quem venceu, pela mesma fase, nas duas vezes que foi campeão em Roland Garros, em 1997 e no ano passado.
A vitória de ontem, épica, foi contra um adversário que precisou disputar o qualificatório, e tem um biótipo raro para um tênis moderno, em que predominam jogadores altos e magros, o oposto do físico de Russell, que mede 1,70 m e pesa 65 kg.
Nos 2 primeiros sets, com uma velocidade incrível para chegar em todas as bolas, o norte-americano era quem parecia o número 1 do mundo.
Em cinco vezes, Russell quebrou o saque de Kuerten, conhecido por ser um dos jogadores do circuito que menos deixam escapar um game quando servem.
No 3º set, depois de mais uma vez quebrar o saque do brasileiro, o norte-americano só precisava confirmar seu serviço para impor a quarta derrota de Guga em 26 partidas de simples disputadas em Roland Garros.
Em um game equilibrado, Russell teve um match point que podia lhe dar a oportunidade de transformar sua carreira.
Depois de várias trocas de bolas, inclusive aquela que ficou a ‘‘um quarto de centímetro’’ de tirá-lo da competição, Guga conseguiu evitar o ponto de adversário, que a partir desse momento ficou totalmente rendido. No tie-break, confiante, o brasileiro conseguiu a segunda vitória seguida nesse tipo de decisão. Depois, no quarto e no quinto set, foi a vez de Guga ‘‘passear’’ na quadra.

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