São Paulo - "Guerrero, Guerrero, Guerrero". O coro de mais de 27 mil vozes de corintianos no momento da substituição de seu camisa 9, já nos acréscimos do jogo contra o Atlético-MG, quarta-feira, no Itaquerão, pela Copa do Brasil, mostra a sintonia que a torcida está com seu goleador. O homem que herdou a camisa de Ronaldo superou o número de gols do antecessor no Corinthians (36 a 35) e virou ídolo pela raça e por ser o goleador dos jogos importantes.
Artilheiro do Itaquerão, com cinco dos 25 gols do Corinthians na nova casa, o peruano é o nome mais comemorado desde o anúncio dos titulares antes da partidas no telão do estádio. Ele conquistou o coração do torcedor por causa de seus gols nas "decisões" e por jamais se render às contusões. O corintiano prefere um jogador raçudo ao habilidoso que não se entrega em toda bola.
O gol de abertura do placar diante do Atlético-MG, por exemplo, veio depois de o atacante levar um pancada, levantar mancando e correr para a área com sacrifício para ganhar de cabeça. Comemorou com cara de choro, de dor. Guerrero já jogou com o dedo quebrado pelo Corinthians e, na vitória por 2 a 0 sobre o Palmeiras, voltou a campo na segunda etapa para abrir o marcador após sentir uma contusão muscular antes do intervalo.
São 102 jogos com a camisa corintiana e 36 gols do artilheiro. Aquele centroavante que chegou sob desconfiança em 2012, com corpo cheio de tatuagens e cabelo "engraçado", hoje é unanimidade. Num time que tem ídolos como Cássio e Elias, Guerrero já escreveu seu nome na história com os gols do título do Mundial de Clubes de 2012 e agora por não desistir nunca de um lance.
Aos trancos e barrancos, brigando com os zagueiros e nunca desistindo de uma bola, ele reconquistou a vaga de titular após ser encostado pelo técnico Mano Menezes, que não gosta de homem fixo na área, no início da temporada. Sem nunca desistir, treinou forte para perder os cinco quilos acima do peso e se adaptar como atacante de beirada de campo.
"Estou me sentindo bem desde o início do Brasileirão, no Paulista subi muito de peso, não me cuidei nas longas férias, agora estou bem", diz o centroavante, que abandonou a área para atuar aberto pelo lado esquerdo e trocar a reserva pelo coração dos corintianos. Aberto, ainda assim chega para anotar seus gols e virou um armador, com belas "assistências".
Guerrero trocou em 2012 o milionário futebol alemão, onde defendeu Bayern de Munique e Hamburgo, para ficar mais próximo do Peru e, por consequência, mais perto de seus familiares. Sempre que pode, ele dá uma "fugidinha" até seu país. Mas ganhou a confiança no clube por não se atrasar, pelo empenho até nos treinos e por ser um profissional acima da média. Por vezes Guerrero já foi preterido e, ao invés de se entregar, ele sempre buscou a volta por cima.
O gol de cabeça que fez na final do Mundial diante do Chelsea está eternizado em pintura enorme no CT do Parque Ecológico, ao lado de outros gols importantes da história corintiana. Mas ele quer mais. Tanto que recusou algumas propostas para dar mais voltas olímpicas no Corinthians. De preferência com gol seu, como na decisão da Recopa Sul-Americana de 2013 diante do arquirrival São Paulo.
O São Paulo, por sinal, parece lhe trazer sorte, já que foi seu o gol decisivo da vitória por 3 a 2, também no Itaquerão, no domingo retrasado. Guerrero ainda deixou sua marca em outros grandes jogos do Corinthians neste ano, como na vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro, hoje líder do Brasileirão, e nos 2 a 1 sobre o Internacional, o atual segundo colocado.

LIBERADO
Guerrero fez um acordo com a Federação Peruana de Futebol e vai poder atuar no jogo da volta contra o Atlético-MG pelas quartas de final da Copa do Brasil. Ele foi dispensado de um amistoso que será disputado entre a seleção do Peru e a Guatemala, em 14 de outubro, em Lima. No dia seguinte, o Corinthians vai a Belo Horizonte e pode perder até por 1 a 0 para avançar à semifinal.

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