Quem nunca vibrou ao assistir grandes filmes de guerra, principalmente épicos medievais, como ''Coração Valente'', ''Robin Hood'' e até mesmo o recente ''Senhor dos Anéis''? Muita gente não sabe e sequer imagina que um jogo tão 'parado' possa ambientar toda a selvageria do combate entre dois exércitos, mas, segundo os jogadores, é exatamente isso que o xadrez representa em um primeiro momento.
''O xadrez é um jogo de guerra entre dois exércitos e é preciso ter espírito de luta. Vivemos em um mundo bastante competitivo e devemos ter uma boa tomada de decisão, já que se você errar, perde'', explicou o jogador e professor de xadrez, Jorge Roberto Fernandes.
Assim como Jorge, Hermann Horiuchi e André Fernandes fazem parte da diretoria do Clube Londrinense de Xadrez, que já existe há muitos anos mas há apenas três consegue manter uma estrutura razoável para atender os interessados e os já iniciados na modalidade. ''Estamos atendendo cerca de 250 crianças nas escolas. Recebemos anualmente uma verba de R$ 25 mil da Fundação de Esportes de Londrina'', disse Jorge.
De acordo com o enxadrista, a verba repassada pelo município é suficiente para a fomentação de xadrez em Londrina mas não para competição. ''Precisaríamos de R$ 90 mil por ano para ter uma equipe. O que deixa caro é a preparação dos atletas, que precisam de livros e Internet'', exemplificou Jorge. Segundo os jogadores, para começar a praticar xadrez não é necessário muito investimento mas, para alcançar um bom nível, é preciso gastar muito dinheiro com livros, inclusive importados, aulas com grandes mestres e partidas via Internet com outros enxadristas bem qualificados dos grandes centros da modalidade, como Rússia, Iugoslávia e Hungria.
Para os enxadristas, uma partida vai muito além do tabuleiro. O conflito mental entre dois jogadores chega a ser tão grande que muitos chegam a perder de um a dois quilos em quatro horas de jogo e muitos até usam da famosa 'catimba' para superar os adversários. ''Tem uns que ficam batendo os dedos para atrapalhar, ficam falando coisas, parecem até jogadores de truco'', disse Horiuchi. Mas, segundo os jogadores, pelas regras oficiais o silêncio é absoluto. ''Numa partida oficial não se pode falar nem 'xeque!', pois se o adversário não sabe que seu rei está em xeque nem mesmo poderia estar competindo'', afirmou Jorge.
E a vontade de superar desafios e os oponentes é tão grande que os jogadores costumam aplicar variações para deixar uma partida ainda mais competitiva. Além do sorteio de peças para evitar uma abertura de jogo imbatível e de partidas com dois tabuleiros, é bem comum a prática do xadrez mental, conhecido como 'xadrez às cegas'. Nesse tipo de jogo, os enxadristas imaginam um tabuleiro e cada posição é marcada por uma letra e um número, geralmente. A partir daí os competidores dizem a movimentação das peças através de códigos alfanuméricos. ''O jogador Nelson Pillspury, por exemplo, já chegou a vencer dez oponentes simultaneamente no xadrez às cegas'', garantiu André.

mockup