Guerra contra Clube dos 13 pode gerar saia-justa no Corinthians
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Wagner Vilaron <br> Agência Estado 
São Paulo - A guerra de bastidores na qual se transformou a rusga entre Corinthians e o Clube dos 13 pode provocar uma, digamos, saia-justa para o presidente corintiano, Andrés Sanchez. Pelo menos é essa a expectativa na entidade. Os dirigentes do C13 argumentam que para concretizar a desfiliação, comunicada na última quarta-feira, a diretoria alvinegra precisa da aprovação do Conselho de Orientação (Cori) do clube. Ocorre que o órgão é presidido por Antonio Roque Citadini, um dos principais desafetos de Sanchez no Parque São Jorge.
O ponto central da argumentação do C13 é o próprio estatuto corintiano. De acordo com advogados da entidade, o letra ''p'' do artigo 120, que trata das atribuições do Cori, determina que o conselho se posicione quanto ao tema. Diz o trecho: ''Cabe ao Cori... Decidir, por proposta do Presidente da Diretoria, sobre a filiação ou não do CORINTHIANS às entidades desportivas de hierarquia superior, e alteração substancial nos vínculos de relações sociais ou desportiva com associações congêneres''.
Nesse caso, Sanchez seria obrigado a acionar sua base política, que se mostra forte, e dialogar com Citadini, cena pouco comum nos últimos anos. ''O Andrés acha que por ser um regime presidencialista ele pode tomar certas decisões sozinho. Mas não é bem assim'', observou o conselheiro vitalício, ex-vice de futebol e integrante do Cori, Rubens Gomes.
Representantes da diretoria corintiana têm entendimento completamente diferente do assunto. ''Esse artigo em questão (o 120 do estatuto) é claro. Ele trata de 'entidades desportivas de hierarquia superior'. Ora, definitivamente o Clube dos 13 não se encaixa nessa condição, que é ocupada por entidades reconhecidas pelo desporto nacional, como federações e confederações'', explicou o advogado do Corinthians, Luiz Fernando Santoro.
Novas adesões
O ritmo das articulações de bastidores tem sido frenético. Sanchez e os presidentes dos quatro grandes clubes do Rio de Janeiro, que já anunciaram que vão tratar da negociação dos direitos de transmissão de tevê sem a participação do C13, buscam novos simpatizantes para a causa. A expectativa é de que pelo menos três clubes anunciem até a próxima segunda que vão seguir o exemplo e se posicionar de maneira independente da entidade: Grêmio, Santos e Palmeiras. Em Belo Horizonte, a diretoria do Cruzeiro adotou posição neutra. O presidente Zezé Perrella disse que vai aguardar o desdobramento da situação e que não tomará decisões com pressa.


