Guarani, o segundo time dos pontagrossenses
Quem em algum dia na vida já não leu, ao menos um pequeno trecho, ou então já ouviu falar no romance ''O Guarany'', de José de Alencar, que depois virou ópera nas mãos de Carlos Gomes. O livro apaixonou muitos jovens. Um grupo deles, que morava em Ponta Grossa, fundou um time de futebol e não teve dúvidas na hora de escolher o nome: Guarani Esporte Clube. Nascia ali, em 30 de julho de 1914, uma das principais forças esporte bretão paranaense até a década de 60.
Dono de dois vice-campeonatos estaduais, o Bugre dividiu por muitos anos a atenção e o coração dos pontagrossenses com o Operário Ferroviário, mas não conseguiu superar o rival em conquistas. Isso, talvez, porque encerrou as atividades com o futebol profissional em 69, muito antes que o Fantasma.
Mas foi por pouco que o time não deixou de existir pouco depois de sua fundação. No dia 7 de agosto de 1917, o clube fez uma excursão pelo Sul do Brasil a primeira viagem que um time de futebol fazia para fora do Estado e uma briga entre o grupo durante o período fora fez com que a equipe fosse desfeita. Somente dez anos depois é que o Guarani foi reativado.
Em 31, o Bugre bateu o Operário na final do campeonato princesino e ganhou o direito de representar a cidade no Estadual, mas não conseguiu superar o Coritiba, tendo que se contentar com o vicecampeonato.
O time continuou as disputas dos campeonatos locais e estaduais e se reforçou no início da década de 50, querendo novamente chegar à decisão. Até que em 56 conseguiu. Pela frente o temido Coritiba. ''Foi um campeonato muito difícil. Tinham muitos times bons'', conta o ex-centroanvante do Guarani, Ernesto Possageno, hoje com 70 anos. Ele chegou ao time em 51 e ficou até 69.
O primeiro jogo da final foi realizado na capital e terminou empatado em 2 a 2. Na segunda partida, em Ponta Grossa, todas esperavam uma vitória dos donos da casa, mas ela não aconteceu. O Coritiba venceu por 3 a 2. No terceiro e decisivo confronto, nova vitória do Coxa, dessa vez por 2 a 1.
Jogadores e torcedores do Bugre até hoje questionam a arbitragem das partidas da decisão. ''Arrumaram uma suspensão para o Oscar e ele não pôde jogar a final'', reclama Possageno. O meia Oscar era o craque do time na época. O guarani teve que se contentar com a artilharia do campeonato conquistada pelo atacante Agostinho Zara, com 22 gols marcados.
Depois disso, continuaram as disputas entre Operário e Guarani, o famoso Ope-Gua, com jogos bastante equilibrados e que movimentavam a Princesa dos Campos, tanto em confrontos no Estádio Germano Kruger, do Fantasma, como no Joaquim de Paula Xavier, do Bugre. ''Dia de Ope-Gua ficava gente para fora do campo, porque não cabia'', lembra Possageno.
Dos muitos clássicos locais que disputou, um marcou o ex-centroavante. ''Em 63, num Ope-Gua, nós fizemos 1 a 0 no primeiro tempo e aos 20 minutos do segundo, ampliamos para 2 a 0. Nós achávamos que o jogo já estava ganho, mas em 10 minutos eles fizeram três gols e viraram a partida'', relembra.
Em 61, quando o Fantasma foi vice-campeão Paranaense, o Guarani ainda conseguiu a artilharia do campeonato com Marinho, que balançou por 22 vezes as redes. Mas, em 69, o time deixou de existir, profissionalmente. (T.M.)





