Guálter Salles bate no muro a 240 km/h
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de junho de 1997
José Emílio Aguiar, 
da Agêncis Estado
Uma pancada de lado no muro a 240 km/h deixou o brasileiro Guálter Salles desacordado no carro. O resgate demorou 10 minutos para retirá-lo do cockpit. Os médicos ficaram preocupados com a possibilidade de fraturas ou lesões na cabeça e na coluna, mas Salles sofreu apenas uma forte contusão no joelho esquerdo e deverá correr domingo, em Detroit.
Salles ficou bastante assustado com a batida. No hospital da pista, ainda grogue, admitia ter se abalado com o acidente. Dei o maior apagadão. Gualtinho não se lembrava por quanto tempo ficou inconsciente. Os integrantes da equipe Davis tentaram falar pelo rádio com ele durante o resgate, mas o piloto nada respondia. A falta de informações causou tensão nos boxes. Os amigos Tony Kanaan, Hélio Castro Neves e Cristiano da Matta, pilotos da Indy Lights e vizinhos de Salles num mesmo condomínio em Miami, correram para o hospital atrás de notícias. Quando souberam que estava bem, ficaram aliviados. A mãe, Jô, o pai, Guálter e a namorada, Ciça, foram tranquilizados pelo telefone.
O acidente foi causado pelo erro de Juan Manuel Fangio. Ele rodou na minha frente e não tive como frear ou desviar, contou Salles. O Reynard-Toyota do argentino espremeu o carro de Gualtinho no muro. Salles teve o capacete amassado e a frente do Reynard-Ford destruída. O impacto abriu um rombo na lateral do cockpit. O chassi seria levado para a fábrica da Davis no Texas, mas dificilmente será recuperado.
Os outros brasileiros não ficaram contentes com a corrida. Maurício Gugelmin reclamou da decisão da equipe de chamá-lo para o terceiro pit-stop. A gente às vezes tem de arriscar, disse. A decisão de parar depende do box, porque são os engenheiros que controlam com precisão o consumo; eu, de dentro do carro, só tenho uma idéia. Gugelmin ultrapassou Gil de Ferran e voltou a ser o brasileiro mais bem colocado no campeonato.
Raul Boesel também não se satisfez com o quarto lugar. Queria o pódio. Desta vez a Patrick acertou na estratégia, mas Raul tinha o carro saindo de frente.


