Agência Folha
De São Paulo
Às vésperas de um renovado GP Brasil, a Fórmula 1 anunciou na Europa a venda de metade de seus direitos de comercialização e de TV para um grupo alemão de mídia. A EM.TV & Merchandising AG, com sede em Munique, confirmou ontem a aquisição de 50% das ações da holding que controla a categoria por US$ 1,65 bilhão, um dos maiores negócios da história do esporte mundial. Bernie Ecclestone, homem-forte da categoria, foi agente passivo na negociação. O lote foi adquirido diretamente de agentes financeiros que já tinham 50% da categoria – Morgan Grenfell (12,5%) e Hellman & Friedman (37,5%).
Mais do que uma troca de parceiros, Ecclestone assistiu a uma súbita valorização de seu produto. Afinal, os fundos praticamente venderam as ações pelo dobro do que compraram há meses. A EM.TV, empresa com pouco mais de dez anos de atuação no mercado de direitos de TV na Europa, anunciou também que pretende comprar mais 25% das ações nos próximos 12 meses e lançar a F-1 na Bolsa de Valores.
O fato de um grupo de mídia estar à frente da negociação confirma a tese encampada por Ecclestone, de que a F-1 poderia ser papel rentável tendo como lastro apenas os valores crescentes da venda de direitos de TV. Em 1995, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) contabilizava 45 bilhões de telespectadores em audiência acumulada. No ano passado, o número saltou para 57,7 bilhões. Números fantásticos, mas que ganharam um enorme respaldo ontem.