Grito de campeão compensa fracasso em dois torneios
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de junho de 2000
Ed Carlos Rocha e Fernando Tupan De Curitiba 
Depois de um susto muito grande com o gol do Coritiba, os torcedores do Atlético não pouparam alegria para comemorar o primeiro título do clube na nova Arena da Baixada. Assim que o árbitro apitou o fim do jogo, a torcida soltou o grito junto com os jogadores. É campeão, é campeão foi o que se ouvia dentro do estádio.
A comemoração começou na Arena, onde alguns torcedores conseguiram invadir o gramado. Para agradecer o apoio, quase todos os atletas jogaram suas camisas, meias e calções aos torcedores. Eles merecem tudo isso porque foram os grandes responsáveis pelo nosso título, dizia o zagueiro Gustavo, um dos mais festejados pelos rubro-negros.
A festa logou se espalhou para a Praça Afonso Botelho, onde está localizado o estádio. Milhares de pessoas se aglomeraram entoando o hino do clube e dando continuidade ao grito de campeão. Regada ao som de um trio elétrico e a muito chope, a festa varou a madrugada. A cada minuto, mais e mais pessoas chegavam ao local para engrossar o coro de comemoração.
Como tradicionalmente acontece em comemorações de títulos, as ruas da cidade também foram tomadas por carreatas atleticanas. Tremulando bandeiras e esbanjando alegria, os torcedores percorreram vários bairros da capital num constante buzinaço.
A comemoração foi merecida. Apesar da melhor campanha em toda a competição, estava escondido em cada um dos 26 mil atleticanos na Arena o receio de um novo fracasso em casa, a exemplo do que havia acontecido na Taça Libertadores da América (desclassificado pelo Atlético Mineiro) e na Copa do Brasil (eliminado pelo Cruzeiro).
Quando o Coritiba fez o primeiro gol, ficou claro a lembrança dos torcedores dos últimos fracassos. Por algums momentos, a Arena ficou silenciosa. Depois, mesmo com a insistência ofensiva do time, ainda faltava o gol para que os torcedores se entregassem de corpo e alma no apoio ao time. Quando Gustavo empatou o jogo, nem mesmo as investidas posteriores do Coritiba em busca de mais um gol calaram a torcida.
E não foi só quem apenas torce pelo clube que passou com o coração apertado. Diretores do rubro-negro também confessaram um certo receio com o gol alviverde. A gente sempre confiou no Atlético, mas naquela hora houve uma certa preocupação sim, disse o presidente Ademir Adur.
O coordenador de Marketing, Mário Celso Petraglia, disse até que tomou remédios. Precisava ficar mais calmo. Ainda bem que ganhamos, pois seria complicado perdemos o título para o nosso maior rival dentro de casa.
Mas, para variar, nem tudo foi alegria. Os torcedores do Coritiba quebraram os assentos de parte da arquibancada e também alguns banheiros. Houve conflitos com policiais militares que tentavam dispersar os mais exaltados. Mas, pelo menos próximo à saída do estádio, não houve nada de mais grave logo após o fim do clássico.


