Grid deve surpreender no GP australiano
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quinta-feira, 06 de março de 2003
Agência Estado 
Melbourne - A definição do primeiro grid da temporada, amanhã à meia-noite, horário de Brasília, não deverá decepcionar os que esperam das novas regras da Fórmula 1 resultados surpreendentes. O grid do GP da Austrália, no circuito Albert Park, tem tudo para ser bem diferente daqueles do ano passado, atendendo, assim, ao menos no treino, um pouco da expectativa de alternância de resultados reclamada por todos.
O volume de gasolina que cada piloto for usar na largada da corrida, já estará praticamente no tanque de seus carros, hoje, na tomada de tempos. E as equipes não poderão mexer nos ajustes dos carros também até a prova. A Minardi nas primeiras filas em vez da última? Agora é possível.
A opinião é unânime: a largada da corrida que abre o Mundial será hoje, bem como nas demais 15 etapas do campeonato, e não mais no domingo. O novo regulamento diminuiu a importância da posição no grid, é verdade, mas supervalorizou, da mesma forma, a estratégia de corrida. E já hoje isso ficará evidente se algumas equipes confirmarem na prática o que seus chefes declararam ontem, antes ainda da sessão que definiu a ordem de entrada dos pilotos na pista, hoje, realizada entre as 14 e as 15 horas local (da meia-noite a uma hora de Brasília), no mesmo formato da que será disputada no sábado, com um piloto de cada vez no circuito. ''Eu passaria por ridículo se orientasse meus pilotos a classificarem-se com pouca gasolina só para aparecer na mídia e depois de três voltas, na prova, terem de ir para o box reabastecer'', disse ontem o australiano Paul Stoddart, da Minardi.
''O que não quer dizer que observando o histórico das largadas nessa pista eu não possa adotar essa tática, apostando na entrada do safety car, o que me daria a chance de reabastecer logo e, quem sabe, marcar até pontos'', completou.
Isso dá bem uma idéia do que se está pensando em fazer hoje. ''Os pilotos têm a opção de classificarem-se com pouca gasolina, conquistar boa colocação no grid, mas depois terem de fazer um pit stop logo no início da prova, ou ainda irem para o treino de definição do grid com volume maior de combustível, não obter melhor posição no grid, mas poder retardar a primeira parada nos boxes.'' A explicação é do presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, até para justificar a regra que ele próprio criou, a fim de dar mais emoção à disputa. ''A estratégia adotada terá importância maior no resultado final.'' Apesar de Mosley não assumir, a razão da medida é tentar diminuir o favoritismo de Michael Schumacher e da Ferrari, com a introdução de tantas variáveis na competição.
Para os pilotos estreantes, cujo objetivo é não envolver-se em acidentes na largada, a fim de tentarem levar seus carros até o fim, sair nas primeiras filas significa possibilidade bem menor de envolver-se em acidentes. ''Vou classificar com pouca gasolina exatamente com esse propósito'', disse ontem um dos estreantes na Fórmula 1. Entre as equipes grandes, porém, a tendência verificada no circuito Albert Park é de se optar por dois pit stops em vez da tradicional parada única no GP da Austrália, por conta do desgaste reduzido dos pneus, causado sempre por temperaturas amenas e asfalto pouco abrasivo.
''Não sei a visão da minha equipe, mas se eu me classificar no sábado (amanhã) com combustível para um pit stop, vou ficar lá atrás no grid e depois no começo da prova também'', comentou um experiente piloto.


