Belo Horizonte - Na simbólica data que marcou a contagem regressiva dos mil dias para o início da Copa de 2014, a presidente Dilma Rousseff e Pelé, embaixador honorário do Brasil no Mundial, desembarcaram ontem em Belo Horizonte para conhecer de perto as obras de revitalização do Mineirão - uma das intervenções em estádios que estão mais adiantadas, conforme o cronograma elaborado. Concebida pelas autoridades mineiras, que trabalham para que a capital de Minas Gerais seja escolhida como sede da abertura do Mundial, a visita de Dilma e Pelé, porém, foi ofuscada pela paralisação dos operários que trabalham na reforma do estádio.
O ministro do Esporte, Orlando Silva, admitiu que a ocorrência de greves será uma constante no período que resta até o início da Copa. A nova paralisação - a primeira, em junho, durou cinco dias - no canteiro de obras do Mineirão foi iniciada na última quinta-feira. Nesta sexta, centenas de trabalhadores permaneciam de braços cruzados e promoveram um ato em frente ao estádio.
''A greve no Mineirão, a greve no Maracanã, a greve em Salvador, elas não foram as primeiras e seguramente não serão as últimas greves. São reivindicações dos trabalhadores. O que nós não podemos perder é o canal de diálogo, é o prazo de execução das obras'', disse o ministro do Esporte, destacando que o País irá ''se mostrar para o mundo como ele é''. ''O Brasil é uma democracia.''
Dilma e sua comitiva - além de Pelé, ministros e parlamentares -, entraram no estádio pelo lado oposto ao que operários em greve promoviam a manifestação com direito a carro de som.
Os trabalhadores cobram equiparação do piso salarial com São Paulo, reajuste no tíquete refeição e melhorias na infraestrutura do canteiro de obras. Ricardo Barra, presidente do consórcio Minas Arena, classificou a greve como ''oportunista''.
Na visita ao Mineirão, Dilma cumprimentou alguns poucos funcionários que estavam em uma área reservada. Entre eles, apenas cinco vestiam o uniforme amarelo de operário. A presidente recebeu uma camisa do Atlético Mineiro, clube para o qual torce, e posou para os fotógrafos ao lado de Pelé segurando uma camisa da seleção brasileira com a inscrição ''1.000 dias''.

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