Grêmio recorre e Scheidt deve jogar sábado
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 26 (AE) - Suspenso por 120 dias pela Comissão Disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva, da CBF, o zagueiro Scheidt deverá jogar neste sábado, contra o Avenida, pelo Campeonato Gaúcho. É o que prevê o efeito suspensivo que o tribunal deve conceder amanhã, válido para punições superiores a 15 dias, por determinação da Lei Pelé. Hoje, o advogado Admar Barreto Neto, do Grêmio, interpôs recurso junto ao Tribunal de Justiça Desportiva. "Basta a interposição do recurso para a concessão do efeito suspensivo", observou o vice-presidente jurídico do clube, Antonio Vicente Martins.
Ele acha que a postura do Laboratório de Análises Técnicas da UFRJ (Ladetec), responsável pelo exame antidoping, "pesou bastante" na condenação do jogador. Interpretou o comportamento do Ladetec como "no mínimo, malicioso" e chegando "a beirar a incompetência".
Martins reparou que o laboratório cometeu erros primários no laudo que comprometeu Scheidt, entre eles a confusão entre o DHEA (dehidroepiandrosterona) e outra substância de nome parecido (dehidroepitestosterona) na folha de apresentação. O DHEA foi a substância vetada descoberta na urina do zagueiro.
O advogado advertiu que o Ladetec responderá internacionalmente pelo seu laudo. Argumentou que o Comitê Olímpico Internacional (COI) realizou 200 mil exames antidoping nos últimos dois anos, dos quais oito mil deram resultado positivo e somente um envolvendo DHEA. E neste caso isolado, segundo ele, o atleta apenas foi punido por que houve confissão prévia.
Scheidt seria, então, "o primeiro atleta no mundo" a ser penalizado por DHEA exclusivamente com base em prova laboratorial.
Martins contou que, antes do julgamento, o diretor do Ladetec, Jari Nóbrega, admitiu-lhe que "não podia ter certeza absoluta" no episódio Scheidt. "Foi muita ousadia do Ladetec ter a conclusividade que teve", comentou, informando que, no começo da próxima semana, o clube apresentará suas razões pedindo a reforma da decisão ao TJD.
Apoiado em exames realizados no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), o Grêmio tem sustentado que Scheidt não é usuário crônico de DHEA.
Os testes no HPCA indicaram que o organismo do zagueiro, se estimulado, produz DHEA em quantidade acima dos padrões, o que não poderia ser considerado doping. Os médicos provocaram um quadro de estresse artificial em Scheidt, injetando-lhe o hormônio ACTH. O hormônio age como um simulador de desgaste emocional intenso, equivalente ao de um jogo importante de futebol.
O Ladetec, para o qual a CBF encomenda seus testes de antidoping, apenas detectaria a substância e a sua quantidade, sem poder assegurar se a sua origem seria externa ou orgânica. A substância foi encontrada na urina do zagueiro após a partida Grêmio 1 x Flamengo 2, pela Copa do Brasil, no dia 21 de abril.


