O Grêmio é o campeão brasileiro de 1996. O time gaúcho venceu ontem a Portuguesa por 2 x 0, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre. É o segundo título brasileiro do Grêmio, que já havia vencido o campeonato em 1981. Depois de ganhar o jogo de ida em São Paulo, também por 2 x 0, a Portuguesa entrou em campo com vantagem, podendo perder até por um gol de diferença. Mas a equipe não conseguiu suportar a pressão gremista. E o que se foi uma batalha do futebol.
O Estádio Olímpico estava quase inteiro de azul e preto. Apenas 2 mil pessoas torciam pela Portuguesa, de São Paulo ou recrutadas entre a torcida do Inter, arqui-rival do Grêmio em Porto Alegre. Jogadores dos dois lados previam um jogo de pegada, com marcação forte e muita pressão psicológica. O técnico do Grêmio, Luiz Felipe Scolari, fazia mistério quanto à escalação do lateral-direito Arce, que estava com problemas de contusão. A Portuguesa prometia aplicação e velocidade.
Mas quem chegou com tudo foi o Grêmio - inclusive abrindo o marcador aos 2min40. Depois do escanteio cobrado pelo lateral Arce, a zaga da Lusa cochilou. O rebote ficou para os gaúchos e, com a zaga parada, a bola sobrou para os pés do artilheiro Paulo Nunes, que mandou para o fundo da rede de Clêmer: 1 x 0.
O gol dos gaúchos logo no início abalou completamente o time paulista. Desarrumada em campo, errando passes fáceis, sem valorizar a posse de bola, a Portuguesa se deixava envolver. Aos 12 minutos, o zagueiro César quis dar um drible a mais em cima de Paulo Nunes e perdeu a bola dentro da área. Capitão salvou a Portuguesa de tomar o segundo gol. Vários escanteios cobrados pelo paraguaio Arce atormentavam os paulistas com bolas altas.
Só por volta dos 17 minutos a Portuguesa mostrou que estava viva em campo. Danrlei falhou na reposição de bola e o garoto Rodrigo, revelação da Lusa, obrigou o goleiro gaúcho a fazer boa defesa.
Aos 33 minutos, Arce bateu falta pela direita e jogou na cabeça de Paulo Nunes. Clêmer fez excelente defesa e mandou para escanteio. Os últimos 15 minutos foram de grande pressão sobre a defesa da Lusa. Aos 42 minutos, Gallo atrasou do meio-de-campo para o goleiro Clêmer, que pegou a bola com as mãos. Resultado: tiro indireto dentro da área e uma grande chance para o Grêmio virar com 2 x 0. Mas Arce chutou na barreira. A Lusa respirou aliviada.
Os times voltaram para o segundo tempo sabendo que iriam enfrentar momentos dramáticos. A Lusa mostrou sinais de reação. Aos 2 minutos, Caio pegou a bola na meia-esquerda e, com visão de jogo, inverteu o jogo para o outro lado do campo, onde Rodrigo penetrava com velocidade. Mas o árbitro Márcio Rezende de Freitas marcou impedimento. Por duas vezes, com Rodrigo e Gallo, a Lusa chegou com perigo em contra-ataques. Aos poucos, Caio tentava organizar o meio-de-campo da Lusa.
Mas, mesmo cansado, o Grêmio superou todas as dificuldades. A equipe gaúcha não deixou jamais de ser uma ameaça, principalmente quando a bola caía nos pés de Paulo Nunes, Arce e Carlos Miguel. Aos 30 minutos, o técnico Scolari tirou Dinho e colocou Aílton em campo. Nove minutos depois, em outro vacilo da zaga paulista, o rebote de uma bola alta sobrou justamente para Aílton. Ele fuzilou, sem chance para Clêmer, e fez o gol do título. A galera gaúcha explodiu. Ao Grêmio, nos minutos finais, restou administrar a vantagem e comemorar o título.

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