Greg Moore vence e mantém liderança
O piloto canadense e o italiano Alessandro Zanardi travaram um duelo sensacional no Rio. Brasileiros decepcionaram
José Emílio Aguiar
Agência Estado

André Penner/AE

(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
FestaO piloto canadense Greg Moore comemora sua vitória no GP do Brasil de Fórmula Indy, disputada ontem no autódromo de Jacarepaguá, no Rio Antes mesmo de a temporada começar, Alessandro Zanardi tinha uma certeza: ‘‘Sabia que Greg Moore seria um pesadelo.’ O campeão da F-Indy comprovou ontem na pista que o jovem canadense, de 23 anos, vai lhe vender caro o título. Moore ganhou o GP do Brasil, no Rio, com uma ultrapassagem espetacular a cinco voltas do final e manteve-se na liderança do campeonato, com 71 pontos, quatro à frente do italiano.
Os pilotos brasileiros mais uma vez decepcionaram a torcida. Só Maurício Gugelmin completou a prova, em nono. Mas não faltou emoção na corrida. Moore e Zanardi travaram um grande pega por 41 voltas. Na 128ª , a cinco do final, o canadense aproveitou-se do tráfego do retardatário Arnd Meier e roubou a liderança com uma manobra radical. ‘‘Freamos mais tarde do que em toda a corrida’’, contou. Moore calculou ter atrasado a freada de 15 a 20 metros, enquanto Zanardi atrasou cerca de 10. Os dois estavam a 335 km/h, tomaram a curva 1 a uns 180 km/h e Moore saiu na frente, mesmo por fora, pegando a sujeira da pista e com pneus gastos.
Zanardi travou as rodas e quase o seu pneu dianteiro direito bate no traseiro esquerdo de Moore. ‘‘Tirei um pouco o pé, senão bateríamos’’, contou. ‘‘Talvez agora se convençam de que não sou um mau garoto’’, completou, referindo-se à punição recebida da Cart no ano passado por excesso de agressividade.
O campeão não se conformou com a perda da corrida. E foi tomar satisfações com Arnd Meier. Desceu do carro furioso, amassou um copo d’água e discutiu com o alemão. ‘‘Sei que ele não fez de propósito, mas foi uma manobra errada’’, reclamou o italiano.
Moore aproveitou-se que Zanardi perdeu velocidade, encostou nele e o superou. ‘‘Sabia que eu era mais rápido nas freadas e no contorno das curvas, e ele levava vantagem nas retas e nas saídas de curva’’, contou. ‘‘Então, tinha de tentar ali. Moore foi tão por fora na curva 1 que achou que perderia a posição de novo. Assumir o risco valeu. Seu primeiro objetivo é ser campeão e só depois disso seguir os passos do compatriota Jacques Villeneuve na F-1. ‘‘Tem de ser num grande time, quando eu tiver 25, ou 26 anos.
BrasileirosApesar dos problemas nos treinos e de cinco paradas nos boxes, Maurício Gugelmin - nono colocado - foi o único brasileiro a completar o GP do Brasil. Gugelmin saiu da prova se queixando dos amortecedores e da bandeira preta recebida por uma infração logo na largada.
Gil de Ferran jogou mais uma corrida fora por precipitação. Como em Miami, no ano passado, ou em Elkhart Lake e Mid-Ohio, em 96, o piloto tinha um ótimo carro, mas não soube esperar o momento para fazer uma ultrapassagem. Desta vez, bateu em Paul Tracy na curva 1, na 40ª volta.
Christian Fittipaldi também chegou a ocupar o segundo lugar, mas a tampa do respiro do tanque de combustível quebrou e ele não pôde mais reabastecer. Não havia como expulsar o ar do tanque para o metanol entrar e caso a equipe tentasse, causaria um acidente.
Tony Kanaan pulou na frente na largada e agitou a arquibancada, mas foi economizando combustível para fazer só dois pit stops. O motor acabou estourando. Guálter Salles venceu as limitações do carro da Payton-Coyne, correu entre os dez primeiros, mas saiu da prova num acidente com Alex Barron na curva 1. André Ribeiro, da Penske, deixou a prova desolado. Perdeu a primeira e a quarta marchas e andou sempre entre os últimos.

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