Rio, 19 (AE) - O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, disse hoje que "talvez não tivesse aceito" o cargo se conhecesse, antes da posse, um relatório "cabeludo", apontando irregularidades nos bingos, feito no ano passado pela Secretaria de Controle Interno do Ministério da Fazenda. Segundo Greca, foi Manoel Gomes Tubino, ex-presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto que o acusa de conhecer supostos atos de improbidade na fiscalização do setor, que renovou as concessões para exploração de máquinas de bingo eletrônico, cujo funcionamento foi liberado em 1998.
"Não instituí os bingos", afirmou ele, após participar na sede do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de solenidade de criação do Programa de Desenvolvimento Turístico do Sudeste. "Quando a Lei Pelé foi promulgada, eu nem sonhava lidar com esse assunto, era pré-candidato a deputado federal lá no Paraná e prefeito de gestão exitosa." O ministro afirmou que as irregularidades são todas anteriores à criação do ministério e estranhou que as denúncias tivessem aparecido pela primeira vez "exatamente um dia depois que encaminhou ao Planalto proposta de medidas moralizadoras".
Mais cedo, em solenidade na Fundação Instituto Oswaldo Cruz, Greca afirmou que a investigação do caso, que inclui suspeitas de ligação com mafiosos italianos, é atribuição da Polícia Federal (PF), não do ministério. "Eu não tenho nenhuma ligação com qualquer tipo de lado sinistro da vida, estou sofrendo o mal, mas não o conheço", disse Greca. Ele afirmou que procuraria ainda hoje o presidente Fernando Henrique Cardoso e alguns para discutir uma "solução para o problema".
O ministro acusou Tubino de "omisso" e disse que já contratou um advogado para responder às suas acusações. "Administrativamente, ele está morto, e essas denúncias vazias podem me atingir politicamente, mas não me assustam ", disse o ministro. Greca afirmou que o descontrole dos bingos é total. "Achei que o professor Tubino fosse capaz de controlá-lo, mas ele foi um zero à esquerda", disse. "Do jeito que estão, os bingos não servem ao País, porque não há a arrecadação dos 7% prevista na Lei Pelé."
Greca defendeu a transferência "integral" para a Caixa Econômica Federal (CEF) da operação do controle de arrecadação dos bingos e a centralização no governo federal das autorizações para o seu funcionamento, que, hoje, vêm sendo dadas também pelos serviços de loterias estaduais. O ministro admitiu que "há uma bagunça muito grande" no setor, que classificou de "assunto perverso", mas disse ter a "certeza" de que o novo presidente do Indesp, Augusto Garcia de Viveiros, vá resolver os problemas.
NERVOSO - Greca participou de manhã do lançamento do projeto-piloto de uma escolinha de futebol para adolescentes da zona norte da cidade, coordenada pelo Instituto Romário e desenvolvida em parceria pelo ministério e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Visivelmente nervoso, o ministro esqueceu parte da letra do Hino Nacional, quando cantava, em voz alta, durante a abertura da cerimônia. O atacante Romário, do Flamengo, participou do evento.

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