O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, disse ontem aos dirigentes do Clube dos Treze, associação dos principais times do país, que seu ministério está preparando um regulamento para o futebol brasileiro, na forma de decreto presidencial, que proíbe uma mesma empresa de deter o controle de mais de um clube. ‘‘Vou reproduzir exatamente o que diz o regulamento da Fifa, no artigo 5º, parágrafo 7º, de seu estatuto’’, disse o ministro. De acordo com Greca, haverá um período para que o decreto seja assinado. ‘‘É o tempo do processo burocrático no Palácio do Planalto’’, afirmou.
Para isso, o ministro também pediu que a Secretaria de Direito Econômico, órgão do Ministério da Justiça, investigue se está havendo formação de cartel entre empresas privadas para controlar mais de um clube. ‘‘Há um vácuo legislativo que não regulamenta isso no momento, e, com essa medida, nós vamos impedir que aleguem direito adquirido’’, disse.
O ministro pretende conversar com presidentes de outros clubes sobre essa e outras questões referentes ao futebol. ‘‘Tenho uma política de ouvir a todos, porque acredito que para a verdade não basta a opinião de um só.’’ Durante a reunião na capital paranaense, Greca disse ter percebido que o pensamento sobre o clube-empresa é compartilhado pelos dirigentes. ‘‘Ficou decidido que os clubes vão encaminhar as sugestões através da Subcomissão de Desportos da Câmara dos Deputados, para que a gente possa instruir o processo de regulamentação da lei’’, disse.
O presidente do Clube dos Treze, Fábio Koff, elogiou o encontro com o ministro. ‘‘Ele está perfeitamente por dentro da lei e do que existe de errado na lei’’, afirmou. Para Koff, o problema emergencial é ‘‘evitar a criação de um cartel ou holding esportiva’’. Para ele, é importante que empresas invistam no futebol. ‘‘Mas não é interessante que o mesmo investidor seja concomitantemente investidor de quatro ou cinco clubes que disputem o mesmo campeonato.’’ Segundo ele, caso isso aconteça, ‘‘é fácil perceber que o gestor poderá manipular resultados ou fortalecer um clube em prejuízo do outro’’.
Esse mesmo raciocínio, de acordo com Koff, não pode ser feito com relação ao patrocínio em camisas. ‘‘A empresa não terá poder de administração’’, argumentou. O presidente do Clube dos Treze também disse ser contrário à obrigatoriedade de que todos os clubes se transformem em empresas. ‘‘Há necessidade de corrigir isso’’.
O vascaíno Eurico Miranda afirmou ser ‘‘flagrantemente contra’’ que um grupo econômico detenha o controle de mais de um clube. ‘‘Entendo que esses grupos, quando muito, podem participar de um só clube’’, declarou. Segundo ele, a transformação do clube em empresa somente tem sentido se não for retirado do futebol brasileiro o que considera a sua base: a paixão. ‘‘O esporte vive da paixão e, quando isso acabar, acabou o esporte, acabou o futebol no Brasil.’’
O Clube dos Treze elaborou ontem um contrato de sociedade com a Rede Globo de Televisão, pelo qual deve ser constituída uma empresa com o objetivo de explorar a venda das imagens dos jogos desses times internacionalmente. ‘‘Passamos a ser sócios na exploração das vantagens de captação e transmissão da imagem de nossos jogos no exterior’’, disse o presidente da entidade, Fábio Koff. O valor do contrato não foi revelado.
Koff também anunciou que ainda nesta semana os clubes deverão formalizar outro contrato, também com a Rede Globo, para a criação do Canal do Futebol. ‘‘Será um contrato em partes iguais para que possamos tirar vantagem para os clubes também da풒, afirmou. Segundo ele, o clube está crescendo, reunindo hoje 16 das principais equipes de futebol do Brasil.
Eurico Miranda defendeu a inclusão de mais uma equipe do Paraná no Clube dos 13, que reúne 16 clubes. O Coritiba participa da associação há três anos. Para escolher o novo representante, o critério deverá ser o do time que tiver mais tradição e torcida.
O presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia, vê com bons olhos o convite para participar da entidade controladora dos direitos de comercialização do Campeonato Brasileiro. ‘‘Fomos convidados para participar do Clube dos 13, mas na época eu era presidente do Grupo dos 12. Haveria conflito se eu aceitasse. Hoje não. Ficaria feliz e analisaria a proposta’’, disse Petraglia.
Mehl acredita que fatalmente todos os participantes do Campeonato Brasileiro farão parte do Clube dos 13. ‘‘O Atlético e o Paraná, mais dia menos dia, deverão fazer parte da associação.’’ Mas para o presidente do Coritiba, o Malutrom também deveria entrar antes. Joel Malucelli, presidente de honra da equipe de São José dos Pinhais, estava na reunião e os de Atlético e Paraná nem foram convidados.

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