Greca busca 'potência olímpica'
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sexta-feira, 29 de janeiro de 1999
Agência Estado 
O ministro do Esporte e Turismo, Rafael Greca, pretende controlar os gastos do Instituto Nacional do Desenvolvimento do Desporto (Indesp) para garantir a aplicação dos recursos efetivamente no esporte. Ontem, durante a posse do Indesp, Greca admitiu também a possibilidade de alterações na Lei Pelé, mas adiantou que a decisão depende de consulta a todos os setores envolvidos. Quero fazer uma política de resultados com os recursos do Indesp, adiantou Greca (foto), informando ainda que a intenção do governo é transformar o Brasil em uma potência olímpica. Me dêem seis meses para ver se tudo o que entra de recursos é suficiente, disse ele. Eu acho que é mais do que suficiente.
O orçamento do Instituto, este ano, é de cerca de R$ 200 milhões, R$ 19 milhões deles com destino carimbado por emendas parlamentares. A minha postura é de inclemência com a corrupção, correção absoluta, transparência absoluta, disse o ministro, ao ser questionado sobre as denúncias feitas no passado sobre má utilização de verbas.
Greca reafirmou a intenção de transformar o turismo e o esporte em gerador de emprego e renda. Em quatro anos, o governo pretende criar sete milhões de empregos, que podem nascer do turismo e do esporte, afirmou o ministro, na solenidade de posse de Manoel Tubino na presidência do Indesp. Tubino defendeu que se monte a programação esportiva coincidindo com o calendário turístico. O novo presidente do Indesp não assinou termo de posse, mas uma carta-compromisso, na qual elege, entre outras prioridades, garantir o direito a todos os tipos de esporte - do educacional ao que visa rendimento - e a ampliar a prática esportiva feminina.
Tubino prometeu trabalhar para beneficiar da criança ao idoso. Ele quer desenvolver ações na área de esportes que alcancem tanto portadores de deficiência física como os talentos predestinados à excelência esportiva. O novo diretor do Indesp também defendeu investimentos no chamado turismo esportivo.
Sobre a lei Pelé, o ministro Greca disse que não basta a opinião de um só. Ele prometeu ouvir todos os segmentos, de Pelé e João Havelange, ao jogador mais humilde. Segundo o ministro, é o Congresso o responsável por alterações na lei, mas ele admitiu que as legislações podem não ser definitivas. Até a lei áurea tem defeito, disse. Quando aboliu a escravidão no Brasil e não estabeleceu direitos trabalhistas e de moradia para os antigos escravos, os tornou excluídos da sociedade.
Para o deputado Eurico Miranda (PTB-RJ), vice-presidente de futebol do Vasco, o defeito da lei Pelé é a equivalência proposta entre o futebol e as demais modalidades esportivas. Acho que Greca está consciente da necessidade de separar o futebol, apostou Miranda. Não se pode comparar o futebol, onde todos os jogadores são profissionais, com, por exemplo, o vôlei, em que somente 10% são.
O ministro chegou a citar a situação do filho de Eurico Miranda, jogador de basquete amador do Vasco. Ele não pode dar salário para o filho, sendo vice-presidente do clube, mas o filho também não pode ser proibido de jogar, contou. Veja, ele é uma alma penada, esse filho.
A democratização do acesso aos esportes é defendido pelo ministro e também pelo iatista Lars Grael, que assumiu a Diretoria de Programas Especiais. Grael pensa em começar a trabalhar um projeto náutico nacional. Queremos usar os oito mil quilômetros do litoral brasileiro, e mesmo os rios, as represas, sempre levando em conta o aspecto da preservação ambiental, contou o atleta. Grael quer ainda expandir o programa Esporte Solidário, mantido hoje em parceira com 20 estados para atender a 100 mil jovens entre cinco e 14 anos, com a construção de áreas de esporte nas comunidades.
O ex-jogador de vôlei Paulo André Jukoski da Silva, o Paulão, presidente do time Telepar/Maringá, assumiu a Diretoria de Desenvolvimento Integrado do Desporto.


