GRD surpreende as favoritas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 28 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare Enviada da Folha a Sydney 
Elas chegaram sem o peso do favoritismo. Queriam apenas terminar entre as oito primeiras para poderem participar da final. E conseguiram: ficaram em sétimo lugar. A seleção brasileira de ginástica rítmica desportiva, que treina em Londrina, está entre as finalistas da competição por equipe dos Jogos Olímpicos de Sydney. No resultado, uma surpresa: a Espanha, atual campeã olímpica, ficou de fora. A França, país tradicional na modalidade, também. Agora, as brasileiras se preparam para a final, que acontece na madrugada de amanhã, às 5h30 (horário de Brasília).
Para garantir a classificação foram necessárias duas coreografias diferentes. Uma com arco e fita e a outra com maças aparelhos parecidos com garrafinhas de boliche. Na primeira, as brasileiras não obtiveram a nota que esperavam: somaram 19.066 pontos e ficaram em nono lugar, entre dez equipes.
Com uma coreografia ao som de Aquarela do Brasil, de Ari Barroso, em ritmo de bossa-nova, passando para samba-enredo, as brasileiras arrancaram aplausos do público, que ainda ajudou na briga contra os juízes. O melhor protesto que poderíamos fazer contra aquela nota baixa o próprio público fez quando vaiou a nota apresentada no placar. O público é isento, ele pode não entender tecnicamente do esporte, mas sabe apreciar a beleza do espetáculo, disse Eliane Martins, chefe da equipe de ginástica brasileira.
Para Bárbara Laffranchi, técnica da seleção brasileira, a nota baixa já era esperada. Eu sabia que a primeira entrada seria assim. Eles têm um certo preconceito em relação ao Brasil. Eles valorizam muito mais países do continente europeu, onde a modalidade tem muita tradição.
Mas a primeira nota não abalou as ginastas. Muito seguras, Camila e Alessandra Ferezin, Dayane Camilo, Natália Scherer, Flávia Faria e Thalita Nakadomari entraram no tablado para mostrar porque são as únicas representantes da América. Campeãs pan-americanas em Winnipeg (Canadá), no ano passado, as meninas do Brasil deram um show à parte com uma mistura de duas músicas nordestinas (frevo e maracatu), Baque de Parada e De deserto a deserto, de Miguel Kirstman, com arranjos do londrinense Marcos Garcia.
A nota, 19.150 pontos, elevou a colocação do Brasil de nono para sétimo lugar, na frente da Itália, França e Espanha. As outras equipes classificadas foram Grécia, Rússia, Bielo Rússia, Japão, Alemanha, Bulgária e Itália.
Tenho esperança que vamos melhorar muito nossa posição na final, disse Bárbara Laffranchi. Hoje (ontem) fomos prejudicadas pela arbitragem, mas sei que eles (os árbitros) vão julgar com muito cuidado na final, porque sabem que a GRD só vai continuar como modalidade olímpica se provar que é disputada com seriedade. E, para isso acontecer, os juízes vão ter de ser muito justos.
Após a apresentação, uma das árbitras pediu desculpas à treinadora brasileira pela nota abaixo da merecida. Eles já começaram a acordar. Já é um bom sinal. Agora, para a final, zera a contagem e começa tudo de novo. Se elas se apresentarem como se apresentaram nas eliminatórias, estamos disputando medalha, disse a técnica.


