GRD nacional representa a América
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terça-feira, 12 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare Enviada da Folha a Sydney 
As ginastas brasileiras têm uma responsabilidade ainda maior nos Jogos Olímpicos de Sydney. Elas são as únicas representantes de todo o continente americano. Para nós é um sonho, porque Canadá e Estados Unidos já conseguiram participar de Olimpíada, mas nunca um país da América do Sul tinha tido essa chance, desabafou a técnica Bárbara Laffranchi. Normalmente somos discriminados pelos países europeus e só o fato de estarmos aqui, já vale uma medalha de ouro, completou, entusiasmada.
Com a mistura de maracatu e frevo, que levou o Brasil a conquistar a medalha de ouro nos Jogos de Winnipeg, no ano passado, as londrinenses Alessandra e Camila Ferezin, Dayane da Silva, Thalita Nakadomari, a brasiliense Flávia Faria, a catarinense Maria Carolina, a paulista Michele Salzano e a gaúcha Natália Eidt, vão mostrar na coreografia com maças parte da cultura nordestina.
Já para a apresentação de arco e fita, ao som de Aquarela do Brasil, uma grande surpresa está reservada. A música começa em ritmo de bossa-nova e acaba em ritmo de samba-enredo. A intenção é mostrar a variedade da cultura brasileira, disse a treinadora.
No caminho das brasileiras, as francesas, as búlgaras e as espanholas. Vai ser um páreo duro. Todas as equipes estão muito niveladas. Vamos disputar o terceiro lugar, porque, o ouro e prata devem ir para as equipes da Rússia e da Grécia.
A competição começa no próximo dia 28. São dez equipes que passarão por uma eliminatória. Vai ser complicado tirar duas equipes porque são as dez melhores do mundo. Mesmo assim eu acho que as meninas estão bem o suficiente para fazer muitos europeus ficarem de olho arregalado pensando Meu Deus, e agora, o que fazemos com as brasileiras.
Irmãs Ferezin As irmãs Alessandra e Camila Ferezin vão disputar juntas, pela primeira vez, uma Olimpíada. Não vejo a hora de vestir o collant e pisar no ginásio. As coreografias estão maravilhosas, declarou Camila. Alessandra também demonstrou bastante ansiedade para a estréia olímpica. A vontade é que chegue logo a hora de entrar no ginásio para mostrarmos o que sabemos.
Para chegarem mais perto da medalha, Alessandra, já tem uma receita: Temos que controlar a adrenalina e fazer os movimentos com perfeição. Quem errar menos, leva a medalha, disse em entrevista exclusiva à Folha.
Para participarem dos jogos Olímpicos de Sydney, as irmãs londrinenses tiveram que abrir mão da vida de mãezona. Camila deixou para trás o filho Lucas, de um ano. Vim chorando no avião. Meu coração está apertadinho. Já Alessandra, deixou dois filhos no Brasil. Larissa, de cinco anos, e Evandro, de quatro. Vamos ter uma boa recompensa. Eles vão entender. A Larissa até me pediu uma medalha, comentou a mãe coruja. Ela é esperta. Pediu logo a de ouro, disse, entre risos. O filho mais novo também pediu uma medalha. Como a Larissa já tinha pedido a de ouro, ele pediu a de prata. Vamos ver se consigo atender pelo menos um desses pedidos.


