GRD do Brasil termina em oitavo lugar
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare Enviada da Folha a Sydney 
O erro se repetiu. Mais uma vez os juízes deram uma nota baixa para a ginástica brasileira, que acabou ficando fora do pódio nos Jogos Olímpicos de Sydney. Sabíamos que a medalha seria difícil, mas a nota deveria ser mais justa. Estávamos brigando de igual para igual, disse a chefe da equipe brasileira, Eliane Martins.
As brasileiras fizeram uma apresentação perfeita. Com o ritmo de frevo, maracatu e samba conquistaram o público, que vaiou as duas notas dadas pelos juízes. Na primeira série, a de maças, o Brasil acabou em oitavo lugar, com 19.066 pontos. Na apresentação de arco e fita a nota melhorou, foi para 19.200, mas a soma 38.266 não foi suficiente para elevar a classificação das brasileiras e nem para agradar o público. O Brasil foi muito bem. Não merecia a nota que teve, disse a torcedora Anna Lazubkuova, da Bielo-Rússia.
As equipes favoritas cometeram erros que não foram devidamente penalizados. Basta ver a nota absurda que eles deram para a Alemanha, que chegou a derrubar a maça na primeira apresentação e a da Grécia, que a ginasta escorregou e só descontaram 0,19 pontos, quando, pelo regulamento, uma falha como essa diz que deveria ser ter no mínimo 0,30, explicou Eliane.
A Rússia, que ficou com a medalha de ouro, com 39.500 pontos, também deixou o aparelho cair na coreografia de maças e ainda acabou a apresentação quatro segundos após o término da música. O que nos contaram foi que o erro foi do operador técnico do som, que desligou a música antes do tempo. Quando isso acontece, as ginastas não podem ser penalizadas, comentou Eliane.
Em segundo lugar, com a mesma pontuação da Rússia, ficou outra grande favorita, a Bielo-Rússia. A Grécia, país-sede da próxima Olimpíada, ficou com a medalha de prata, com 39.283 pontos, mesmo deixando as maças caírem duas vezes no tablado.
Para a técnica da equipe brasileira, Bárbara Laffranchi, mesmo injustiçada, a ginástica brasileira cumpriu sua missão. A única coisa que eu queria era que elas chegassem aqui e se apresentassem bem. Precisávamos mostrar para o mundo que a nossa ginástica tem qualidade. E conseguimos.
Vicélia Florenzano, presidente da Confederação Brasileira de Ginástica, também estava indignada. O público não conhece as regras, mas é isento. É por causa desse comprometimento dos juízes que a ginástica rítmica é um esporte ameaçado de sair das Olimpíadas. Segundo ela, sempre houve um certo preconceito pelo Brasil não fazer parte do continente europeu, onde a modalidade tem tradição. Os juízes já chegam aqui com as notas prontas. Isso é errado.
O vice-presidente da Confederação Internacional de Ginástica, Hans Jorgen Zacarias, discorda. Esses são os melhores árbitros do mundo e são definidos muito tempo antes da Olimpíada. A apresentação do Brasil foi linda. Mas os árbitros não podem avaliar o subjetivo. A avaliação é técnica e às vezes não agrada o público.


