A Série B do Campeonato Brasileiro é um pesadelo para os grandes clubes. Basta observar pela TV o choro nos estádios de palmeirenses, colorados e botafoguenses nas últimas rodadas da Série A. Mas o patinho feio quer aproveitar justamente o descenso dos clubes de grande torcida para se tornar em cisne já a partir de 2003.
O primeiro passo para a transformação foi dado na última quinta-feira com a reunião de representantes de 15 clubes da Segundona em um hotel da área central de São Paulo. O encontro assegurou o início da transição do abandonado Clube Brasil, criado para ser um embrião de uma liga mas que foi esvaziado este ano pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), para o Futebol Brasil Associados (FBA), a pessoa jurídica que gerenciará todos os recursos obtidos com uma nova ofensiva de marketing.
Em três meses, a partir da renovação dos estatutos do Clube Brasil e da implantação de uma infra-estrutura básica no Rio de Janeiro, a FBA quer passar a ser tão respeitada como seu primo rico, o Clube dos 13.
Para encarar o desafio, os dirigentes da Segundona indicaram como gestor da transição (e possivelmente futuro presidente da entidade), o diretor de marketing do Londrina, Peter Silva. O publicitário de 41 anos é hoje uma referência para a CBF, para a Globo Esporte (principal financiadora do futebol profissional no País) e para o Clube dos Treze em qualquer assunto de bastidor.
O gestor da FBA tem desafios de sobra até março, quando será dada a largada da primeira Segundona longa da história (de oito meses). Além de preencher todo o calendário, a Série B 2003 já ganhou holofotes devido a grande possibilidade de clubes que já foram campeões nacionais caso de Botafogo, Internacional e Palmeiras disputarem a edição do ano que vem.
O custo operacional da próxima Segundona já está orçado em R$ 22,9 milhões, valor que exige criatividade para bancá-lo. Atualmente, a Segundona conta apenas com R$ 2,5 milhões da Sportv e apoio para passagens aéreas da CBF (como comparativo, a Série A receberá R$ 190 milhões somente da Globo Esporte). Mas em 2003 tudo deve ser diferente.
Aproveitando a maré favorável, a ofensiva da FBA já começou. A entidade está renegociando a cota paga pela Globo Esporte, de 10 para R$ 20 milhões, relativos à transmissão em rede aberta; quer agregar royalties do sistema pague-para-ver (30% das vendas de pacotes) sob direitos da Sportv, que somada a cota das transmissões à cabo pode chegar a R$ 4,5 milhões; quer vender o nome e a bola do campeonato ; negociar o pacote de publicidade estática nos estádios; receita antecipada de bilheteria; e direito a venda de uma inserção comercial antes de cada transmissão.
Mesmo com todos os esforços, deve sobrar (em valor líquido) apenas R$ 700 mil para cada participante da Segundona (menos de R$ 90 mil mensais). ''Em 2004, nosso objetivo é que a cota mensal chegue a pelo menos R$ 120 mil para cada clube''.

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