Grandes do Rio acumulam dívidas e só querem mesmo ficar na elite
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sábado, 10 de outubro de 2009
Agência Estado 
Rio - Com uma certa incredulidade, o técnico Carlos Alberto Parreira reage à pergunta sobre a crise no futebol carioca. ''Faz dez anos que vocês me ligam, sempre nos meses de setembro ou de outubro, para falar da mesma coisa''. O período coincide com a reta final do Campeonato Brasileiro e a declaração do ex-técnico da seleção brasileira e do Fluminense traduz o drama dos grandes clubes do Rio de Janeiro nos meses finais das últimas edições da competição.
No atual Brasileirão, o Fluminense ocupa a zona de rebaixamento e o Botafogo luta para se manter fora dela. O Vasco está na Série B e o Flamengo faz uma campanha apenas regular depois de conviver com a ameaça do descenso por cinco vezes desde 2000. Juntos, os quatro somam dezenas de títulos importantes, prestígio internacional e uma baita dívida que chega a R$ 1,29 bilhão - o Vasco lidera esse ranking de devedores (R$ 377 milhões).
''O que existe é uma crise de comando'', definiu Parreira, depois de uma experiência conturbada nas Laranjeiras. ''Fui técnico do Flu pela primeira vez em 1970. Voltei agora, em 2009, e fiquei horrorizado com o que vi. Como o clube se deteriorou internamente''.
O técnico tetracampeão mundial não está sozinho quando critica com veemência os dirigentes do futebol carioca. ''Se a pessoa vai ao circo, quer ver o palhaço no picadeiro e não o dono do circo'', declarou Romário, atacante do Brasil no Mundial de 1994 e atualmente gerente de futebol do América-RJ. ''Não há comando mesmo e isso está cada vez mais grave no Rio'', afirmou.
Essa falta de autoridade se reflete também nas atitudes de alguns atletas. O atacante Adriano, com salário aproximado de R$ 400 mil mensais, já se acostumou a chegar atrasado aos treinos do Flamengo - às vezes simplesmente os ignora. Nem por isso é repreendido pelo clube.
Para Romário, uma parte da responsabilidade dos resultados desastrosos do futebol carioca também cabe aos atletas que ''têm olho grande''. ''Não adianta vir para cá achando que vai ganhar os R$ 200 mil prometidos pelos dirigentes'', comentou o ''rei da área'', cujos laços com o Rio são expressivos - atuou por Flamengo, Fluminense e Vasco e promete ainda jogar pelo América. ''Se o cara acreditar nisso, é melhor não vir. Aliás, se negociou salário por R$ 200 mil, tem de se contentar em ganhar R$ 50 mil. É a realidade''.
Dívidas e amadorismo levam os clubes a sucatear seus centros de treinamento. O do Botafogo, no subúrbio de Marechal Hermes, não possui o básico: um campo de jogo em condições razoáveis. O Flamengo treina em Vargem Grande, na zona oeste, numa área mal explorada. Faltam dormitório e sala de refeição para os profissionais.
Todas essas mazelas ajudam a explicar a situação dos clubes cariocas. Qual a solução? Carlos Alberto Parreira sugere mudanças profundas. ''Todos têm de buscar novos caminhos, novas receitas, novas gestões. E poderiam se espelhar no Internacional, hoje com 100 mil associados, uma potência do futebol brasileiro''.


