Grandes decidirão saída do Brasileiro
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segunda-feira, 14 de julho de 1997
Agência Estado e Agência Folha 
Os votos de Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos bastarão para determinar amanhã o abandono dos clubes paulistas do Campeonato Brasileiro. A garantia partiu do presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, que defende a saída em função da inclusão de Fluminense e Bragantino na competição pela porta dos fundos. Apesar de Bragantino, União São João, Guarani e Portuguesa também participarem do torneio, a decisão se baseará na opinião dos maiores clubes. São esses os times de maior importância, por isso não precisamos de maioria absoluta na decisão, disse Farah. Mas, segundo consultas já feitas, a grande maioria apóia a proposta.
Só não há unanimidade porque o presidente do Guarani, Beto Zini, declarou abertamente seu voto contrário. A atitude, porém, não incomoda Farah, que não crê na inflexibilidade. Na reunião que teremos, o Zini certamente mudará de idéia. Mas o dirigente campineiro garantiu que não participará do encontro, marcado para as 15 horas, na sede da Federação.
Farah acredita que a saída dos clubes paulistas vai interromper o Campeonato Brasileiro. Mais: criará uma dificuldade na decisão sobre qual time vai disputar a Libertadores da América. Mas isso deverá ser resolvido pela CBF. O dirigente ratificou que o acordo com as emissoras de televisão, principal preocupação dos clubes, não vai ser afetado. Todas transmitirão o Campeonato Paulista, que poderá ser disputado a partir de 24 de agosto.
O presidente da Federação Paulista garantiu também ter uma procuração dos presidentes de XV de Piracicaba, Botafogo de Ribeirão Preto, Ponte Preta e Mogi Mirim (clubes paulistas da Série B), que garantem apoio à não participação do torneio.
A ameaça do presidente de Eduardo José Farah foi interpretada pelos dirigentes da CBF como uma reação à projeção de Nabi Abi Chedid, presidente interino da entidade. Acho que ele está desgostoso porque há um movimento para colocar o Nabi na Federação Paulista, disse Carlos Eugênio Lopes, vice-presidente de futebol da CBF.
Lopes acredita que o dirigente da FPF quer palanque para a campanha dele. A seu ver, Farah teria ficado desgostoso e abalado com o fato de Nabi ter assumido a presidência da CBF durante as férias de Ricardo Teixeira. Eu não acredito que os clubes de São Paulo concordem com essa proposta, duvidou.
Os dirigentes da CBF observaram que os maiores prejudicados com o boicote seriam os clubes paulistas. Depois de analisarem todas as possibilidades, concluíram que as equipes, ao desistirem do Campeonato Brasileiro deste ano, estariam fora das principais competições internacionais, entre as quais a Libertadores da América; ficariam sujeitas às sanções do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e da Fifa, que poderia suspendê-las internacionalmente; seriam multadas e teriam de devolver o dinheiro dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro às TVs.


