Grandes clubes do país buscam fidelidade de torcedores
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
Alex Sabino<br> Agência Estado 
São Paulo - Com 35 mil cadastrados no programa ''Fiel Torcedor'', o Corinthians pode lotar o Pacaembu sem precisar colocar ingressos à venda nas bilheterias do estádio. Cada vez mais essa é a aposta dos grandes clubes: fidelizar seu torcedor. O cenário ideal seria acabar com filas quilométricas antes de grandes jogos e derrames de bilhetes falsos - apenas na final do Paulistão foram 5 mil.
A intenção é boa. A única dúvida é saber se desta vez a vida tranquila dos cambistas terá fim. ''Os clubes precisam saber quem é o seu torcedor. Para isso o único caminho é a fidelização. Fazendo isso, você pode premiar aquele que foi ao estádio o campeonato inteiro. Não faz sentido deixá-lo de fora justo na decisão com um aumento no preço do ingresso'', afirmou Adalberto Batista, diretor de marketing do São Paulo. O clube tem 48 mil sócios-torcedores cadastrados e prepara novas iniciativas.
E essa é a tendência. Só muda o nome de clube para clube. No Corinthians, por exemplo, é Fiel Torcedor. Quem está filiado ao programa tem direito de comprar bilhetes com 72 horas de antecedência em relação ao corintiano ''comum'', que poderá ficar até sem chance de ver o time jogar, dependendo da demanda de quem está inscrito no Fiel Torcedor.
''Lançaremos cartão com a tecnologia do Bilhete Único (usado no transporte público). O torcedor põe crédito e desconta o valor ao passar pela catraca'', explicou Lúcio Blanco, supervisor de arrecadação do Corinthians.
Esse mesmo esquema já é seguido pelo Santos há mais de um ano. É um prêmio para o sócio, que pode chegar ao estádio em cima da hora com seu cartão, passar na catraca e pagar a fatura apenas no mês seguinte. ''Estamos planejando outras coisas. O torcedor vai poder adquirir ingresso pelo site do clube. Em 2010, a bilheteria será o último recurso para compra de ingresso'', garantiu o supervisor administrativo do Santos, Modesto Roma Júnior.
Utilizados esporadicamente no Brasil nos anos 90, os carnês de bilhetes para todas as partidas do campeonato ensaiam a volta. Santos e São Paulo lançaram pacotes em que a torcida pode garantir a presença nos jogos em que o time for mandante.
O Palmeiras prepara projeto em que o torcedor receberá maiores descontos na compra de ingressos quanto mais comparecer ao Palestra Itália. Mas a implantação ficou para o futuro. ''É como programa de milhagens aéreas para premiar o palmeirense mais assíduo'', disse o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo.
Exemplo colorado
Não é só em São Paulo que os clubes dão privilégio na compra de ingressos a seus torcedores cadastrados. O modelo implantado pelo Internacional é visto como exemplo a ser seguido. O clube tem 80 mil associados.
A diretoria reserva regularmente 70% da capacidade do Beira-Rio (40 mil dos 52 mil lugares disponíveis) para sócios e donos de cadeiras cativas. A capacidade do estádio é de 58 mil pessoas, mas 10% não são colocados à venda por motivos de segurança.
Contra o Coritiba, por exemplo, há duas semanas, pelas semifinais da Copa do Brasil, o torcedor que não é associado ficou com uma carga de apenas 8 mil entradas.
''Acho que em algum momento, no futuro, vamos adotar no Brasil o modelo inglês. Pelo simples fato de que a quantidade de sócios é maior que a capacidade do estádio'', analisou o diretor de marketing do Palmeiras, Rogério Dezembro.
Atualmente, clubes como Santos e Internacional utilizam pesquisas de frequência de associados para evitar que o torcedor que contribui mensalmente chegue no estádio e não encontre lugar. ''Mas percebemos que está crescendo. Já tivemos que aumentar o espaço reservado na Vila Belmiro'', explicou Modesto Roma Júnior.
Na Inglaterra, os torcedores (chamados de ''membros'') têm a preferência não de comprar, mas de solicitar a entrada seis semanas antes da partida. Quem chega primeiro leva. E muita gente fica sem.


