São Paulo - Que o futebol é paixão nacional nunca ninguém duvidou. Que é um ótimo negócio, muita gente já descobriu. Mas que o nome dos clubes representa uma fortuna, isso poucos haviam levado a sério. Agora, porém, um estudo da empresa Crowe Horwath RCS mostra que a marca de cada um tem muito valor no mercado. Flamengo e Corinthians, donos das maiores torcidas do País, e São Paulo, proprietário do maior estádio particular, valem cada um mais de R$ 500 milhões. Em que pese a dívida milionária de todos os grandes clubes, o fato é que, se souberem tirar proveito de seu nome, poderão se dar bem demais num futuro imediato.
A comparação com os grandes clubes do mundo ainda é surreal, mas é fato que os nacionais nem imaginavam que suas marcas valessem tanto. ''E isso é muito importante porque as marcas é que alavancam as empresas. Ou, num conceito simples, as marcas têm mais valor que as empresas'', explicou Amir Somoggi, diretor da área de esportes da Crowe Horwath RCS.
A empresa utilizou informações históricas disponíveis no mercado para mensurar a marca dos clubes, como dados financeiros, perfil e hábito dos torcedores, marketing esportivo, além de dados dos mercados nacional e local. As receitas foram consolidadas em cima de cálculos de marketing, estádio, sócios e mídia.
Esse estudo será publicado anualmente e as projeções têm dois pontos básicos, compreendidos entre 2003 e 2014 -seis anos antes e os seis próximos, até a Copa do Mundo do Brasil. Também é levado em consideração o interesse do brasileiro pelo futebol. Segundo pesquisas, 67% da população acompanha a modalidade, sendo que o porcentual sobe para 82% entre os homens.
De acordo com o trabalho, as receitas geradas pelos clubes brasileiros apresentaram evolução considerável, com crescimento de 115% no período de seis anos, a partir de 2003. Os recursos provenientes das transferências de atletas apresentaram taxa média de crescimento de 15% ao ano, as cotas de TV subiram 7%, a parte social e amadora aumentou 18%, os recursos de patrocínio e publicidade cresceram 20% e a bilheteria teve evolução de 23%.
Ainda pelo estudo, as receitas que apresentaram maior crescimento são as associadas ao mercado, como a exploração de marketing e venda de ingressos. A receita com televisão, que evoluiu abaixo das outras fontes, deve ter melhora considerável com as vendas de pay-per-view. Já as com clube social e amador mostraram evolução surpreendente e são reflexo de projetos como o sócio-torcedor.
Numa projeção para o futuro, o estudo aponta que, de R$ 1,9 bilhão neste ano, as receitas geradas pelos clubes deve chegar a R$ 2,6 bilhões em 2012 e superar a casa de R$ 3 bilhões em 2014, crescimento de 69% no período. Em um cenário mais otimista, com o aquecimento dos recursos com os novos estádios e do mercado do futebol graças à Copa de 2014, este montante pode ultrapassar R$ 3,4 bilhões. ''O desafio será ver qual clube sozinho vai atingir primeiro a marca de R$ 1 bilhão'', provocou Somoggi.
A evolução no valor das marcas deve-se a diferentes fatores, como a ampliação das receitas com marketing, estádio, sócios e mídia, aumento do interesse de patrocinadores, maior participação do torcedor nos negócios do clube, melhora no nível da renda dos brasileiros e aquecimento da economia nacional.

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