Grama da Baixada acaba em briga judicial
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segunda-feira, 06 de agosto de 2001
Julio Cesar Lima<BR>De Curitiba 
Ao entrar em campo contra o Panamá, na quinta-feira, no Estádio Joaquim Américo, em Curitiba, a seleção brasileira de futebol vai pisar em um gramado que virou disputa jurídica entre a empresa Agropar e o Atlético Paranaense.
Em um processo que se arrasta há três anos na Justiça, a empresa denuncia o Atlético Paranaense por quebra de contrato e pede uma indenização por perdas e danos, além da restituição de 13 máquinas que estariam sendo usadas irregularmente pelo clube. A ação pode atingir aproximadamente R$ 500 mil.
Segundo o proprietário da Agropar, Ildo Padilha, 49 anos, o clube pagou apenas R$ 60 mil do total de R$ 128 mil relativos ao contrato. Houve um atraso nas obras da Arena e nos culparam por isso, afirmou.
O Atlético nega que esteja utilizando alguma máquina da Agropar e ignora qualquer tipo de ação judicial. Ao contrário, a diretoria desqualifica o trabalho de seu ex-contratado. A empresa não tinha qualidade técnica para realizar a obra, afirma um representante do clube. O processo, porém, existe e está na 12º Vara Cível, em Curitiba.
O caso teve início em 1997, quando a Agropar e a empresa inglesa CH Groundes Mainte nance Ltda, responsável pela implantação e manutenção dos gramados de estádios ingleses firmaram uma parceria. Por causa da tecnologia utilizada, ganhamos a concorrência, disse Ildo.
Em janeiro de 1998, Ildo e o sócio Malcolm Cleverley, receberam a notícia de que o campo precisaria ser suspenso em mais 95 centímetros, equivalentes a mil caminhões de terra, que seriam levados pela construtora Voltoragui, de Mário Celso Petraglia, então presidente do Atlético.
Não podíamos continuar a obra até que a terra fosse colocada. Para evitar um atraso maior, decidimos importar um maquinário especial, disse Ildo.
A partir daí a história tomou outro rumo.Eles queriam que eu revelasse a nossa tecnologia. Como isso não aconteceu fizeram um acordo com meu sócio, que montou outra empresa e passou a trabalhar diretamente com eles, afirmou.
A Agropar no entanto, pagou R$ 47 mil na importação das máquinas, em nome da CH Grounds Maintenance e perdeu o dinheiro, pois o Atlético as retirou.
Em 25 de junho de 1998, a juíza Ana Lúcia Lourenço concedeu uma liminar favorável à Agropar. O Atlético conseguiu a cassação da liminar e a liberação das máquinas. Mesmo assim, três anos depois a autorização perdeu a validade. As máquinas são da minha empresa, mas infelizmente há uma demora no processo judicial, afirmou Ildo.


