Grafite ainda espera por uma 'vaguinha' na seleção brasileira
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sábado, 01 de maio de 2010
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Edinaldo Batista Libânio. O nome dele foi muito ouvido durante o ano passado. Ou melhor, o apelido. Os 28 gols marcados por Grafite durante o Campeonato Alemão 2008/2009, que levaram o Wolfsburg à sua primeira conquista nacional, viraram clamor na boca do brasileiro por uma vaga a ele na seleção brasileira. O pedido só foi atendido em 2010, no último amistoso do time de Dunga antes da convocação final para a Copa do Mundo, no próximo dia 11. Só veio porque Luís Fabiano se machucou e não pôde encarar a Irlanda, em março, em Londres.
Grafite foi convocado em cima da hora, quando já era dado como fora não só do jogo mas da Copa. Aproveitou a chance. Foram 25 minutos em campo e um toque de letra que virou gol nos pés de Robinho.
A boa atuação alimentou novamente a esperança do jogador de estar na lista que será divulgada na semana que vem. Ele ganhou outro aliado na briga: as pisadas na bola fora de campo de Adriano.
Grafite mantém o sonho vivo e sabe muito bem justificar sua ausência das convocações anteriores. ''Ele iniciou um trabalho e está seguindo com ele. Seus critérios são claros e transparentes'', afirmou o atacante, que acaba de fazer 31 anos.
Há quatro anos no futebol europeu, o ex-são paulino disputou esse ano a Liga dos Campeões, mas o Wolfsburg foi eliminado na primeira fase. Essa semana, fez os moldes para que seus pés sejam eternizados no museu do time alemão, que deverá ser inaugurado ainda este ano.
O atacante começou no Santa Cruz-PE, passou pelo Grêmio, Seoul, da Coreia do Sul, Goiás e Le Mans, da França, mas seus momentos mais marcantes até chegar ao Wolfsburg foram vividos no São Paulo. No Tricolor, foi campeão paulista, da Libertadores e do Mundial de Clubes, em 2005. Outros dois episódios também foram marcantes. Na mesma Libertadores, ele acusou o zagueiro argentino Desábato de racismo e o jogador deixou o Morumbi preso. Grafite ainda marcou dois gols contra o Juventus, no Paulistão, que salvaram o rival Corinthians do rebaixamento. Confira a entrevista exclusiva que ele concedeu à FOLHA:
Folha: Por que o Wolfsburg não conseguiu manter o nível da temporada passada, apesar de ter mantido a base do time?
Grafite: Muitas coisas mudaram. O treinador mudou, o sistema de jogo mudou e mudou também a maneira dos adversários nos enfrentarem. Deixamos de ser a surpresa e nos tornamos comuns.
Folha: A saída do Felix Magath (técnico) pesou?
Grafite: Claro que sim! O Felix é um grande treinador. Um treinador vencedor. E isso faz diferença.
Folha: Ele tem fama de ditador. Como foi trabalhar com ele?
Grafite: Ele realmente cobra demais de seus comandados. Mas junto com a cobrança você percebe que ele faz o seu potencial crescer. Isso é muito bom.
Folha: Estamos chegando próximo da janela de transferências. Como estão as propostas? Pensa em trocar de clube?
Grafite: Tenho contrato com o Wolfsburg e espero cumprir. Ainda não apareceu nada oficial para que eu deixe o clube.
Folha: O episódio Desábato ainda lhe incomoda?
Grafite: Não, risquei definitivamente este triste episódio de minha cabeça.
Folha: Na Alemanha você mostrou seu lado artilheiro. Na época de Goiás, São Paulo, você era mais garçom do que matador. Explique essa mudança.
Grafite: Mas eu também fazia gols nestes clubes. Não sei se dei azar ou sorte de encontrar grandes artilheiros nestes clubes. No Goiás tinha o Dimba. No São Paulo, o Luís Fabiano, o Amoroso, o Diego Tardelli e o Christian. Mas aqui na Alemanha o Dzeko terminou a temporada passada como vice-artilheiro e nesta temporada está liderando a tabela de artilheiros. Quem joga ao meu lado também faz muitos gols.
Folha: Você conviveu com a expectativa de ser convocado durante 2009, pelo que fez na temporada passada. Ficou alguma decepção?
Grafite: De maneira nenhuma. O treinador da seleção brasileira sempre teve o time dele montado. Ele iniciou um trabalho e está seguindo com ele. Seus critérios são claros e transparentes. E esse trabalho está dando resultado.
Folha: E como foi receber uma chance no último amistoso pré-Copa?
Grafite: Foi muito bom poder estar na seleção brasileira. Ainda mais em um momento tão próximo da Copa do Mundo. Quem sabe não aparece uma vaguinha para mim.
Folha: Tem confiança em ir à África?
Grafite: Trabalho todos os dias pensando em fazer o melhor. Seja para ir ou não ao Mundial.
Folha: Seu concorrente direto é o Adriano?
Grafite: Não tem essa de concorrente direto. A Seleção Brasileira é um grupo.
Folha: O momento vivido por ele pode te ajudar?
Grafite: O Adriano é um grande jogador. Tem história dentro da Seleção Brasileira e isso não se apaga de uma hora para outra. O Adriano não estando bem é ruim para todo mundo.
Folha: Você consegue se imaginar na Copa?
Grafite: Vou deixar para pensar nisso mais para frente.
Folha: Como você foi recebido na seleção brasileira?
Grafite: Muito bem. Todos na Seleção Brasileira me trataram bem e me deixaram a vontade para trabalhar. Isso foi muito importante.
Folha: O que passou pela sua cabeça na hora em que ia entrar em campo contra a Irlanda? Seria sua grande chance.
Grafite: Sabia que seria a minha grande e única chance. Procurei aproveitar da melhor maneira possível.
Folha: Faltam poucos dias para a convocação definitiva. Como controlar a ansiedade?
Grafite: Normal. Não sou muito ansioso.
Folha: Para você que vive o futebol alemão, a Alemanha tem chance de vencer a Copa?
Grafite: Hoje, a Alemanha vive um momento conturbado e confuso. O time tem muita disciplina tática, mas não tem uma estrela que possa desequilibrar. Mas não deixa de ser a Alemanha, que já venceu três Copas do Mundo.
Folha: Pensa em voltar ao Brasil? O São Paulo teria preferência?
Grafite: Não penso em retornar agora. Não posso dizer que o São Paulo teria preferência pois não sei o que vai acontecer no futuro.


