Grael revela pessimismo e ataca bingos
Marcos Freitas
De Curitiba
O diretor de programas especiais do Instituto de Desenvolvimento do Esporte (Indesp), Lars Grael, criticou ontem, em Curitiba, a falta de cultura esportiva no País, atacou a maneira com que os bingos vêm agindo e ainda se mostrou pessimista quanto a um êxito dos brasileiros nas Olimpíadas de Sydney.
Ao abrir o ano letivo dna Universidade Federal do Paraná (UFPR), o iatista falou durante 50 minutos para uma platéia atenta, que lotou o Teatro da Reitoria da UFPR. Ele disse que para o Brasil se tornar uma potência olímpica é preciso adquirir uma consciência esportiva. Grael citou o exemplo dos esportes náuticos, que por aqui não são muito valorizados e, mesmo assim, é a modalidade que mais vem dando medalhas olípicas para o Brasil 10 das 50 já conquistadas.
O iatista medalha de bronze em Seul-88 e Atlanta-96, vítima de um barco desgovernado que cortou uma de suas pernas durante uma prova em Vitória-ES, em 98 falou ainda que é preciso rever muitas questões relacionadas ao patrocínio do esporte brasileiro. Segundo ele, a lei que proíbe o patrocínio para o esporte de empresas que vendem tabaco e bebidas alcoólicas é um retrocesso. Se o País pode vender estes produtos, porque não utilizá-los no fomento do esporte nacional? Para Grael, o que também precisa ser feito é resgatar os antigos ídolos do esporte em prol de uma consciência esportiva. Não podemos mais deixar que antigos ídolos, como o João do Pulo (falecido ano passado), morram na miséria.
Grael se mostrou pessimista quanto à performance do Brasil em Sydney. Mesmo com o bom trabalho que o Indesp e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) vem fazendo, não acredito que conseguiremos o mesmo número de medalhas conquistadas em Atlanta (14), disse. Para ele, o trabalho de formação olímpica se dá em oito anos e não apenas em 12 meses, como vem acontecendo.
Sobre a forma com que os bingos vêm atuando no Brasil, Lars Grael se mostrou indignado e defendeu uma reformulação no sistema. Quando o desportista ou mesmo o cidadão comum vai jogar, ele não sabe a quem está ajudando, e se o dinheiro vai mesmo para a federação pela qual o bingo está autorizado a angariar fundos, disse. Para ele, cada bingo precisava ter, na fachada, o nome da entidade que auxilia.





