O estado de saúde do iatista Lars Grael, que teve a perna direita decepada no domingo, em Vitória, no Espírito Santo, ainda é grave. Ontem, ele foi transferido para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Ele chegou ao hospital às 13h30 de helicóptero e foi encaminhado diretamente à Unidade de Terapia Intensiva.
Apesar de estar consciente, a situação do iatista ainda é bastante complicada. Segundo o boletim médico divulgado no meio da tarde pela equipe que cuida de Grael, ‘‘o paciente apresenta alterações da função renal e distúrbios da coagulação decorrentes da hipotensão arterial causada pela forte hemorragia’’.
A maior preocupação dos médicos no momento é evitar qualquer tipo de infecção. Por causa disso, o tratamento com antibióticos foi aumentado e Lars Grael está sendo submetido a sessões de câmara hiperbárica. Os médicos também fizeram uma revisão da cirurgia realizada no hospital de Vitória.
Grael esteve acompanhado ontem pela mulher, Renata, e o irmão, Axel. No fim da tarde, a família recebeu a visita do amigo Fernando Nabuco, também velejador, ex-presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo e da Federação Paulista de Triatlo.
‘‘Apesar de estar ainda muito chocada com o que aconteceu, a família está firme e otimista com a recuperação de Lars’’, disse Nabuco. ‘‘A família está bastante unida.’’ Nabuco chegou a comparar o caso de Lars Grael ao do ator Gerson Brenner, também internado no Hospital Albert Einstein e se recuperando satisfatoriamente após ter levado um tiro na cabeça. ‘‘O caso de Lars é bem mais simples que o de Brenner, mas requer ainda muitos cuidados.’’ Nabuco lembrou que a família está bastante empenhada em conseguir todas as punições contra o jovem que pilotava a lancha que se chocou contra o barco de Lars.
Voltar a competir - É grande a possibilidade de Lars Grael voltar a velejar, e até competir no alto nível, usando uma perna mecânica. ‘‘Eu não descartaria o fato dele retornar ao iatismo, inclusive de elite’’, afirma o engenheiro mecânico Ulrich Boer, da Otto Bock, uma empresa alemã especializada em próteses, com filial em Campinas, São Paulo. O próprio esporte, por meio de eventos como a Paraolimpíada, estimula a evolução das pesquisas e, consequentemente, o avanço das próteses.
‘‘Competição sempre exige o máximo, de pessoas e equipamentos’’, observa o engenheiro. ‘‘Não sei as exigências na condução de um barco catamarã, como o da classe Tornado, mas, em tese, ele pode voltar a velejar.’’ No caso de Grael, a perna mecânica com um joelho articulado deverá ser adaptada à coxa. O que restou da perna passa a ser a alavanca que impulsiona a prótese. ‘‘Mas para voltar a competir ele terá de superar, além dos problemas físicos, os emocionais, o que é fundamental’’, alerta Ulrich.
Mentira - O piloto da lancha que atingiu Grael na Praia de Camburi mentiu em seu depoimento à Superintendência de Polícia Civil do Espírito Santo. Carlos Guilherme Lima, de 29 anos, disse que sua lancha estava fora da área onde seria disputada a prova de iatismo. De acordo com o delegado Judson Marques, a perícia realizada no local do acidente constatou que a lancha invadiu o local da regata. ‘‘A Polícia não tem dúvida de que a colisão aconteceu na área demarcada para a prova’’, afirmou o delegado.
Já o empresário Carlos Guilherme, pai do piloto da lancha, desafiou a família do iatista. ‘‘Se a família Grael quer guerra, vai ter guerra’’, declarou. Ele disse que Grael não é um esportista profissional, mas um competidor olímpico. ‘‘Portanto, não sofreu danos, vai continuar sendo um campeão olímpico.’’ Para Guilherme, existe uma rivalidade entre os iatistas e o ‘‘pessoal de barco a motor e isso teria dificultado um entendimento sobre o acidente’’.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Em boas mãosLars Grael chega ao Hospital Alberto Einstein: amigo compara o caso dele ao do ator Gerson BrennerEngenheiro vê grandes chances do iatista voltar a competir com uma perna mecânica

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